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Professor de dança e inteligência emocional mata o próprio pai e será internado por esquizofrenia

por | dez 5, 2025 | Últimas notícias

Um crime chocante em Campo Grande revelou um desdobramento surpreendente e chamou atenção para debates sobre saúde mental e responsabilidade legal. Sahu Abel Heyn, de 36 anos, professor de dança, oratória e “inteligência emocional” conhecido nas redes sociais, foi considerado inimputável e terá de cumprir medida de segurança com internação por tempo indeterminado após assassinar o próprio pai, Hugo Abel Heyn, em junho deste ano, no Parque Residencial Maria Aparecida Pedrossian.

A decisão é do juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, com base em laudo psiquiátrico que diagnosticou Sahu com esquizofrenia paranoide. O exame concluiu que ele apresentava alto risco de violência e não tinha capacidade de compreender seus atos no momento do crime. A internação terá prazo mínimo de um ano e poderá ser prorrogada até nova perícia comprovar que o acusado não representa mais perigo.

O crime

De acordo com relatos da mãe de Sahu e esposa da vítima, a tragédia ocorreu por volta das 23h do dia 26 de junho, após uma discussão entre pai e filho. Hugo, que estava deitado na cama, riu da situação, o que teria desencadeado a fúria de Sahu. Em um momento de violência extrema, o acusado arrombou a porta do quarto, atacou o pai com uma faca desferindo vários golpes no tórax e nos braços e continuou agredindo com chutes mesmo após Hugo cair. A mãe tentou intervir, mas precisou correr até uma conveniência próxima, ensanguentada, para pedir ajuda. Câmeras registraram o desespero, e o Samu constatou o óbito no local.

Sahu fugiu após o crime e foi preso dois dias depois pela Guarda Civil Metropolitana, enquanto caminhava na Avenida Toros Puxian. Na delegacia, confessou o homicídio, mas não entrou em detalhes. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul o denunciou por homicídio qualificado por motivo fútil em 8 de julho.

Perfil controverso

Antes do crime, Sahu cultivava uma imagem pública de mentor emocional nas redes sociais, divulgando conteúdos sobre inteligência emocional, oratória, superação de medos e prosperidade. Ele se apresentava como especialista em terapias holísticas e mudança de padrões mentais. O contraste entre sua imagem motivacional e o ato de extrema violência chocou a sociedade e viralizou nas redes.

Saúde mental e inimputabilidade

O laudo psiquiátrico indicou que Sahu era incapaz de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime, sendo, portanto, inimputável. A defesa e o Ministério Público concordaram com a absolvição imprópria. O juiz reconheceu a autoria e materialidade do homicídio, mas aplicou o artigo 26 do Código Penal, que isenta de pena pessoas com doença mental que comprometa o discernimento.

A avaliação pericial apontou alto risco de reincidência violenta caso não fosse internado e recomendou tratamento psiquiátrico hospitalar, destacando que o quadro clínico se agravou devido ao abandono do uso de antipsicóticos.

Contexto familiar

Em depoimento, Sahu alegou ter sofrido abusos por parte do pai, acusação negada pela mãe, Sandra Regina Inverso Ramires Heyn, que afirmou que o filho sofria de esquizofrenia e já havia apresentado surtos violentos anteriormente, incluindo tentativa de suicídio.

Medida de segurança

Com a prisão preventiva convertida em internação por tempo indeterminado, Sahu permanecerá em local definido pela Vara de Execução Penal e passará por acompanhamento médico especializado, com avaliações periódicas para monitorar a cessação da periculosidade. A medida pode durar anos, já que Porto Murtinho não possui colônia penal adequada.

O caso, além de repercutir pelo crime em si, evidencia o choque entre a imagem pública de Sahu e a brutalidade do homicídio, alimentando debates sobre saúde mental, violência familiar e responsabilidade legal em casos de esquizofrenia.

Fotos: Reprodução Rede Social

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