Pesquisadores anunciaram a descoberta do que pode ser a primeira lua já identificada fora do Sistema Solar. O objeto, com massa semelhante à de Júpiter, orbita a anã marrom CD-35 2722 B, um corpo celeste maior que um planeta e menor que uma estrela.
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Diego Portales, no Chile, em parceria com pesquisadores europeus, e publicado nesta quarta-feira (22) na revista científica Nature.
A possível lua foi detectada por meio de observações realizadas com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Entre 2023 e o início deste ano, os pesquisadores analisaram alterações no movimento da anã marrom provocadas pela força gravitacional do objeto.
As medições revelaram um padrão que se repetia a cada 170 dias, indicando a presença de um corpo em órbita. A descoberta representa um avanço nas pesquisas sobre sistemas planetários além do Sistema Solar.
Apesar do resultado, os cientistas ainda tratam o achado como uma hipótese. Como o objeto orbita uma anã marrom, e não um planeta, sua classificação como lua ainda depende de novos estudos. Por enquanto, os pesquisadores utilizam o termo “exosatélite” para descrever o corpo celeste.
Segundo a pesquisadora Alice Zurlo, uma das autoras do estudo, a distinção entre estrelas, planetas e luas torna-se mais complexa em sistemas como o CD-35 2722. Ela explica que, diferentemente do Sistema Solar, onde as categorias são bem definidas, nesse caso as características dos corpos celestes tornam a classificação mais desafiadora.
Os pesquisadores afirmam que novas observações serão necessárias para confirmar a natureza do objeto. Com o avanço das tecnologias de observação espacial, a expectativa é que outras possíveis luas sejam identificadas entre os mais de seis mil exoplanetas já conhecidos pela ciência.



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