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Mudança de rotina nas férias pode aumentar risco de acidentes com crianças, alertam especialistas 

por | jul 6, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Prevenção ajuda a evitar ocorrências, mas saber como agir pode ser decisivo

A pausa na rotina escolar costuma ser sinônimo de descanso, brincadeiras e mais tempo em família. Mas, para pais e responsáveis, o período de férias também exige atenção redobrada. Com as crianças mais tempo em casa, em viagens, na casa de familiares ou em áreas de lazer, aumentam os riscos de quedas, queimaduras, engasgos, intoxicações e afogamentos.

No Brasil, em 2024, 456 crianças e adolescentes de zero a 19 anos morreram em acidentes domésticos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). A principal causa foi relacionada a riscos acidentais à respiração, com 213 ocorrências. Em seguida aparecem afogamentos e submersões acidentais, com 104 registros; exposição à corrente elétrica, radiação ou pressão extrema, com 33; quedas, com 29; e exposição à fumaça, fogo ou chamas, com 23 mortes.

Apesar do alerta, boa parte dessas situações pode ser evitada com medidas simples. Para o fisioterapeuta e enfermeiro André Luiz Hoffmann, especialista em urgência e emergência e instrutor da CoreHelp Educação e Saúde, a palavra-chave é antecipação.

“Nas férias, a criança passa mais tempo em ambientes que nem sempre estão preparados para recebê-la. Por isso, é preciso olhar a casa, o local de passeio ou a hospedagem a partir da altura da criança, identificando riscos que muitas vezes passam despercebidos pelos adultos”, orienta.

Prevenção começa no ambiente

Dentro de casa, a atenção deve estar nos detalhes. Janelas e escadas devem ter telas ou grades de proteção, tapetes soltos precisam ser evitados e objetos cortantes, como facas, tesouras e itens de vidro, devem ficar fora do alcance. Na cozinha, a recomendação é usar as bocas de trás do fogão, deixar os cabos das panelas virados para dentro e nunca manipular líquidos quentes com a criança no colo.

Objetos pequenos também merecem cuidado, já que podem causar engasgos. Moedas, peças de brinquedos, grãos e alguns alimentos devem ser observados de perto. Uma regra simples ajuda a identificar o risco: se o objeto passa por dentro do tubo de um rolo de papel higiênico, ele é pequeno demais para ficar ao alcance da criança. Alimentos como uvas e ovos de codorna devem ser cortados no sentido do comprimento, e não em rodelas.

Fora da rotina, cuidado dobrado

Segundo a médica pediatra Danielle Priscila Mauro Hoffmann, instrutora da CoreHelp Educação e Saúde e integrante da Sociedade Brasileira de Pediatria, os riscos aumentam principalmente quando a família sai da rotina. Casas de avós, tios, hotéis ou imóveis de temporada podem não ter telas, travas, protetores de tomada, móveis fixados ou medicamentos guardados em locais seguros.

“Um erro comum é acreditar que, por haver muitos adultos no ambiente, a criança está sendo observada. Em reuniões familiares, todos acham que alguém está cuidando, mas nem sempre há uma pessoa realmente responsável naquele momento. O ideal é definir quem fará a supervisão ativa da criança, especialmente perto da água”, explica.

Em piscinas, rios, cachoeiras e praias, a vigilância precisa ser constante. O afogamento é rápido e silencioso. Por isso, o adulto deve estar sempre a uma distância de um braço da criança quando ela estiver na água. Celular, conversas paralelas e outras distrações devem ficar de lado. Boias de braço não substituem a supervisão nem oferecem a mesma segurança de um colete salva-vidas adequado.

Primeiros socorros sem improviso

Mesmo com prevenção, acidentes podem acontecer. Em caso de cortes, o local deve ser lavado com água limpa e sabão, e o sangramento deve ser contido com pressão direta usando pano limpo ou gaze. Produtos caseiros, como pó de café, açúcar ou outras substâncias, não devem ser aplicados. Se houver suspeita de fratura, o membro deve ser mantido imobilizado na posição em que está, sem tentar colocar o osso no lugar.

Batidas na cabeça também exigem atenção. Perda de consciência, mesmo que por poucos segundos, vômitos repetidos, sonolência excessiva, irritabilidade intensa ou sangramento pelo nariz ou ouvido são sinais de alerta e indicam necessidade de atendimento médico imediato.

Nos casos de engasgo, se a criança está tossindo, chorando ou emitindo som, o ideal é estimular a tosse e não tentar retirar o objeto com o dedo, pois isso pode empurrá-lo ainda mais. Se ela não consegue tossir, chorar ou respirar, é preciso iniciar as manobras de desobstrução e acionar ajuda.

Em queimaduras, o primeiro cuidado é colocar a área afetada sob água corrente fria por cerca de 10 a 15 minutos. Não se deve passar pasta de dente, manteiga, clara de ovo, gelo ou qualquer substância caseira, nem estourar bolhas. Já em casos de intoxicação por produtos de limpeza, medicamentos, cosméticos ou plantas, os responsáveis devem acionar o serviço de emergência e levar a embalagem do produto ao atendimento.

Para viagens e passeios, uma pequena maleta de primeiros socorros pode ajudar em situações simples. O ideal é levar gaze estéril, esparadrapo, micropore, soro fisiológico 0,9%, curativos adesivos, termômetro digital, tesoura de ponta romba e pinça. Medicamentos devem ser usados apenas conforme orientação do pediatra.

Para André, um dos maiores riscos em uma emergência é o desespero do adulto. “O adulto precisa respirar fundo, avaliar se o ambiente está seguro, chamar ajuda e agir com firmeza. Muitas vezes, na tentativa de ajudar, as pessoas recorrem a mitos populares, como chacoalhar a criança, puxar algo da garganta sem enxergar ou aplicar produtos caseiros em queimaduras. Essas atitudes podem piorar o quadro”, alerta.

A principal orientação para as famílias é incluir a segurança na programação das férias. Antes de viajar, receber visitas ou reunir a família, vale checar o ambiente, combinar quem ficará responsável pela supervisão das crianças e buscar noções básicas de primeiros socorros.

Instituições como a CoreHelp Educação e Saúde, por exemplo, oferecem cursos nessa área, voltados tanto a leigos quanto a profissionais. Para o diretor Denis Corrêa, esse tipo de preparo ajuda os adultos a agirem com mais segurança enquanto o atendimento especializado não chega. “Muitas vezes, quem está por perto é a primeira pessoa que pode ajudar. Saber reconhecer a gravidade, chamar socorro e iniciar as manobras corretas pode ser decisivo para salvar uma vida”, afirma.


Sobre a CoreHelp

A Core Help Educação e Saúde é um centro sul-mato-grossense de educação em saúde especializado em treinamentos para emergências clínicas, trauma e cenários de alta complexidade assistencial. Desde 2019, atua na formação de profissionais e equipes que precisam tomar decisões críticas com rapidez, precisão e segurança, reunindo expertise técnica, metodologias práticas e diretrizes alinhadas aos principais protocolos nacionais e internacionais.

Com mais de 6 mil profissionais capacitados, a Core Help detém credenciais internacionais exclusivas em Mato Grosso do Sul. É o único Training Site da American Heart Association (AHA) no Estado e núcleo oficial de certificações como ATLS®, PHTLS® e AMLS®. Sua atuação combina protocolos baseados em evidências científicas, simuladores de alta fidelidade e um corpo de instrutores em atualização permanente, atendendo profissionais de nível técnico e superior, hospitais, UPAs, SAMU e equipes corporativas.

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