O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a construção de um novo modelo de desenvolvimento baseado em um multilateralismo mais justo e equilibrado durante a abertura da Hannover Messe 2026, realizada neste domingo (19), na Alemanha. Considerado o maior evento de tecnologia industrial do mundo, o encontro reuniu lideranças políticas e empresariais e reforçou a aproximação entre Brasil e Alemanha.
Em seu discurso, Lula afirmou que o atual sistema multilateral não acompanha as transformações geopolíticas e não garante participação equitativa entre os países. Segundo ele, a desigualdade na distribuição dos benefícios econômicos tem contribuído para o crescimento de tensões e extremismos. “Um novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, destacou.
O presidente também aproveitou o evento para apresentar o Brasil como destino estratégico para investimentos estrangeiros, ressaltando políticas voltadas à neoindustrialização, com foco na economia verde e na indústria 4.0. Ele destacou que o país tem buscado reconstruir sua capacidade produtiva desde 2023, com medidas que estimulam o crescimento econômico aliado à inclusão social.
Durante a participação na feira, Lula reforçou a importância do fortalecimento das relações bilaterais com a Alemanha e a diversificação das parcerias comerciais em um cenário global marcado por instabilidade. O governo brasileiro apresentou oportunidades de investimento em áreas como minerais críticos, descarbonização da indústria e transição energética.
O presidente também fez alertas sobre os impactos econômicos e sociais de conflitos armados, apontando que guerras elevam custos de energia e alimentos, afetando principalmente as populações mais vulneráveis. Ele citou ainda os paradoxos do cenário atual, com avanços tecnológicos convivendo com crises humanitárias.
Lula voltou a defender mudanças na Organização das Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança, para ampliar a representatividade e a capacidade de resposta diante de crises globais. Além disso, criticou o ressurgimento de políticas protecionistas e destacou a importância da cooperação internacional.
No campo comercial, o presidente citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo de integração econômica. Segundo ele, o pacto deve ampliar o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu e fortalecer cadeias produtivas, gerando empregos e investimentos.
Outro ponto de destaque foi o potencial brasileiro na área de energia limpa. Lula ressaltou que o país possui matriz elétrica majoritariamente renovável e tem avançado na produção de biocombustíveis e no desenvolvimento de hidrogênio verde. Ele também afirmou que a transição energética é essencial no combate às mudanças climáticas.
O presidente ainda mencionou as oportunidades na exploração de minerais críticos, fundamentais para tecnologias como baterias e painéis solares, defendendo que o Brasil participe de toda a cadeia produtiva com maior valor agregado e transferência de tecnologia.
Por fim, Lula apresentou indicadores econômicos recentes, como crescimento acima da média mundial, redução do desemprego e aumento da renda, além de citar propostas como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Segundo ele, o país busca se consolidar como parceiro confiável para investimentos sustentáveis e inovadores em um cenário global desafiador.
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