O basquete brasileiro perdeu uma de suas maiores referências. O ex-jogador Oscar Schmidt morreu na última sexta-feira (17), aos 68 anos, deixando um legado histórico no esporte e uma carreira marcada por feitos memoráveis dentro e fora do Brasil.
Conhecido como “Mão Santa” e também como “La Bomba” durante sua passagem pela Europa, Oscar construiu uma trajetória única, mesmo sem ter atuado oficialmente na NBA. Ainda assim, seu nome esteve diretamente ligado a grandes estrelas da liga norte-americana, como Kobe Bryant, David Robinson e Larry Bird.
Em 1984, quando brilhava pelo Caserta, da Itália, o brasileiro foi escolhido pelo então New Jersey Nets no Draft da NBA. Ele chegou a disputar cinco partidas de pré-temporada, mas decidiu não seguir na liga. Segundo o próprio atleta, o ambiente era excessivamente rígido. Além disso, à época, jogadores da NBA não podiam defender suas seleções nacionais, o que pesou na decisão. “A seleção era a coisa mais importante da minha vida”, afirmou em diversas ocasiões.
A escolha não impediu que Oscar se tornasse um dos maiores pontuadores da história do basquete mundial. Na Itália, foi cestinha por sete temporadas e chamou a atenção até mesmo de Kobe Bryant, que o acompanhava ainda criança, quando seu pai atuava no país. Anos depois, o astro da NBA relembrou a admiração. “Quando eu estava crescendo na Itália, ele era o cara. Fazia 35, 40 pontos por jogo”, disse Kobe, que nunca escondeu o carinho pelo brasileiro.
Outro capítulo inesquecível da carreira de Oscar aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na final contra os Estados Unidos, o brasileiro marcou 46 pontos e liderou uma vitória histórica por 120 a 115, superando uma equipe que contava com jovens talentos, entre eles David Robinson, que mais tarde se tornaria um dos grandes nomes da NBA. O feito é considerado um dos maiores da história do basquete brasileiro.
O reconhecimento internacional veio de forma definitiva em 2013, quando Oscar foi incluído no Hall da Fama do basquete, em Springfield. Na cerimônia, teve como padrinho Larry Bird, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Em sua homenagem, Bird destacou a capacidade ofensiva do brasileiro e o classificou como um dos maiores pontuadores da história do esporte.
Emocionado durante a cerimônia, Oscar definiu aquele momento como o auge de sua carreira. “Este é o maior prêmio com que você pode sonhar”, declarou na ocasião.
Dono de mais de 49 mil pontos ao longo da carreira, Oscar Schmidt deixa um legado imensurável para o esporte brasileiro e mundial. Sua trajetória é lembrada não apenas pelos números impressionantes, mas também pela paixão pela seleção brasileira e pela forma como marcou gerações dentro das quadras.
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