A Polícia Federal identificou que parte dos recursos provenientes de apostas ilegais, conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”, foi direcionada a uma empresa de sucatas no interior do Pará como estratégia para ocultar a origem do dinheiro.
De acordo com as investigações, o esquema, que envolve nomes como MC Ryan SP, pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Um dos repasses rastreados aponta que a empresa Sucatão SP Serviços e Comércio Ltda recebeu R$ 200 mil em uma única transação.
Segundo a PF, o valor foi transferido por uma estrutura central ligada às plataformas de apostas ilegais, indicando o uso do setor de reciclagem como etapa no processo de lavagem de dinheiro. O relatório destaca que empresas desse segmento são frequentemente utilizadas nesse tipo de prática devido à dificuldade de fiscalização e à informalidade nas operações.
Ainda conforme os investigadores, esse cenário permite a emissão de notas fiscais fictícias, utilizadas para dar aparência legal a recursos ilícitos. A apuração também identificou inconsistências que levantam suspeitas sobre a empresa envolvida, como a ausência de justificativa comercial para a transação e a incompatibilidade entre o valor movimentado e a renda declarada pelo responsável pelo negócio.
Outro ponto destacado é a falta de lógica econômica na operação, já que uma processadora de pagamentos sediada em São Paulo teria enviado recursos para uma empresa localizada em Curionópolis, no Pará, sem justificativa aparente.
O caso integra a Operação Narco Fluxo, deflagrada na última semana com a participação de mais de 200 agentes. Ao todo, foram cumpridos dezenas de mandados de busca e apreensão e prisões temporárias em diferentes estados.
Entre os investigados estão, além de MC Ryan SP, o funkeiro MC Poze do Rodo, influenciadores digitais e empresários ligados ao setor artístico e online. Segundo a PF, o grupo utilizava empresas e perfis nas redes sociais para misturar receitas legais com valores provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas clandestinas.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens relacionados aos investigados. Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie, armas, documentos e equipamentos eletrônicos.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e o fluxo completo dos recursos movimentados pelo esquema.
0 comentários