A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores nomes. O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, após um período de internação no Hospital do Coração (HCor). A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
Responsável por algumas das novelas mais marcantes da história da TV brasileira, Benedito deixa um legado que atravessou gerações e transformou o Brasil rural em protagonista da dramaturgia nacional. Obras como “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Cabocla”, “Sinhá Moça”, “Paraíso”, “Velho Chico” e “Esperança” ajudaram a consolidar seu nome como um dos maiores autores da televisão.
Nos últimos anos, o escritor enfrentava problemas de saúde. Em 2025, foi internado devido ao agravamento de uma insuficiência renal crônica, chegando a permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após receber alta, passou a viver em São Paulo, próximo da família, para receber cuidados médicos permanentes. Na época, familiares esclareceram que Benedito permanecia lúcido e não sofria de Alzheimer ou outra doença neurodegenerativa.
Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa iniciou sua carreira no rádio antes de migrar para a televisão, na década de 1960. Foi na dramaturgia que encontrou espaço para contar histórias inspiradas na vida no campo, nas tradições brasileiras, nos conflitos pela terra e nos dramas familiares que marcaram a formação do país.
Seu estilo narrativo rompeu com a predominância das histórias ambientadas nos grandes centros urbanos. Em suas novelas, fazendas, plantações, rios, florestas e pequenas cidades deixavam de ser apenas cenários para se tornarem parte essencial da narrativa. Ao retratar o cotidiano do homem do campo, o autor também abordava temas como preservação ambiental, reforma agrária, imigração, cultura popular e identidade nacional.
Entre suas maiores criações, “Pantanal” ocupa um lugar especial na história da televisão. Exibida originalmente em 1990 pela extinta Rede Manchete, a novela revolucionou a teledramaturgia brasileira ao explorar as paisagens naturais do bioma pantaneiro e apresentar uma narrativa contemplativa, conquistando público e crítica. Décadas depois, a obra voltou ao horário nobre da TV Globo em um remake escrito por seu neto, Bruno Luperi, repetindo o sucesso da versão original.
Na Globo, Benedito consolidou sua carreira com sucessos como “Renascer”, “O Rei do Gado” e “Terra Nostra”. As produções se tornaram fenômenos de audiência, foram exportadas para diversos países e ajudaram a construir a identidade da novela brasileira.
Outras obras importantes, como “Meu Pedacinho de Chão”, “Cabocla”, “Sinhá Moça” e “Paraíso”, ganharam novas versões anos depois, comprovando a força de personagens e histórias que permanecem atuais mesmo após décadas de sua criação.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa recebeu diversos prêmios e homenagens, tornando-se referência para diferentes gerações de autores. Seu legado segue vivo também na família. As filhas Edmara e Edilene Barbosa seguiram a carreira de escritoras, assim como o neto Bruno Luperi, responsável pelas adaptações recentes de “Pantanal” e “Renascer”.
Benedito deixa quatro filhos, dez netos e um patrimônio artístico que ajudou a moldar a televisão brasileira. Suas novelas ultrapassaram o entretenimento e se transformaram em retratos da cultura, das tradições e das transformações sociais do país.
O velório será realizado a partir das 15h desta terça-feira, no Funeral Home, localizado na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro Bela Vista, em São Paulo.
Com sua morte, a dramaturgia brasileira perde um de seus maiores contadores de histórias. Permanecem, porém, personagens, paisagens e enredos que continuam emocionando milhões de brasileiros e consolidam Benedito Ruy Barbosa como um dos autores mais importantes da história da televisão nacional.





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