A repercussão das críticas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro ganhou grande alcance em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, mobilizando apoiadores do bolsonarismo e também usuários identificados com a esquerda, segundo levantamento da empresa de monitoramento Palver.
A análise, que acompanha mais de 100 mil grupos públicos nas plataformas, indica que 67% das mensagens opinativas foram desfavoráveis à postura de Flávio, enquanto 33% defenderam o senador. De acordo com a empresa, o aumento das críticas foi impulsionado também por perfis ligados à esquerda, que passaram a explorar o episódio para desgastar politicamente o pré-candidato do PL.
A discussão ganhou força após Michelle publicar vídeos nas redes sociais afirmando ter sido desrespeitada por Flávio durante uma conversa sobre a possível aliança do Partido Liberal com Ciro Gomes no Ceará.
Nos vídeos, Michelle afirmou que foi tratada de forma ríspida e que o senador teria dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido por não entender de política.
Debate se dividiu em três narrativas
Segundo a Palver, as mensagens se concentraram em três linhas principais de discussão.
A primeira reúne apoiadores que acusam Flávio Bolsonaro de promover uma “traição ideológica” ao defender uma aliança com Ciro Gomes no Ceará. Nesse grupo, Michelle é retratada como defensora dos princípios do movimento bolsonarista.
A segunda corrente questiona o pedido de desculpas feito posteriormente por Flávio, interpretando a manifestação como uma reação à repercussão negativa, e não como um gesto espontâneo.
Já o terceiro grupo defende o senador, argumentando que a aliança regional faz parte de uma estratégia eleitoral para enfrentar o Partido dos Trabalhadores e critica a exposição pública do conflito pela ex-primeira-dama.
Caso mudou o foco das redes sociais
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque aponta que a crise familiar no núcleo bolsonarista passou a dominar o debate político nas redes sociais entre a tarde de 24 e a manhã de 25 de junho.
Segundo o relatório, o tema relacionado aos vídeos de Michelle concentrou 76% das menções diretas no período, com cerca de 91,6 mil registros, enquanto a repercussão envolvendo o afastamento do senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado respondeu por 24% das citações, com aproximadamente 29,3 mil menções.
Em volume de interações, as publicações sobre Michelle acumularam cerca de 1,4 milhão de reações, quase sete vezes mais do que os conteúdos relacionados ao caso envolvendo Jaques Wagner, que registraram cerca de 214 mil interações.
De acordo com o levantamento, perfis ligados à esquerda direcionaram parte significativa de suas publicações para repercutir a crise no grupo político adversário, contribuindo para ampliar a visibilidade do episódio nas redes sociais.
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