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Criação em espaços públicos inspira residência artística de dança na capital

por | jul 10, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Projeto realiza processos abertos ao público no domingo (12) e na segunda (13). E, o encontro aberto de improvisação ´Dance up Dance´ na terça (14).

Um intercâmbio poético que une pesquisa em improvisação, criação para espaços públicos e reflexão sobre a preservação ambiental.Campo Grande recebe uma residência artística da renomada artista da dança mineira Dudude Herrmann com artistas criadores locais em uma imersão voltada à troca de experiências e conhecimentos. Promovida pela Arado Cultural, a iniciativa começou no dia 05 e segue até 15 de julho.

O projeto ´Intercâmbio Poético com Dudude´, que pesquisa a dança em espaços abertos, como praças e parques, conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), pela Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (FUNDAC) e Prefeitura Municipal de Campo Grande, via Governo Federal e Ministério da Cultura.

“Nesse processo de residência, estamos aprofundando os estudos em improvisação, tendo uma rica troca de saberes e experiências. A ideia é que, em um futuro próximo, esse encontro resulte na criação de uma obra pensada para praças e parques, tendo como tema a preservação do meio ambiente, da fauna e da flora. Mais do que um espetáculo, a intenção é sensibilizar as comunidades sobre a importância da preservação do planeta por meio da arte”, conta Renata Leoni, produtora da Arado Cultural.

Referência da dança brasileira, Dudude Herrmann conduz residência artística

Com mais de 40 anos de atuação, Dudude é uma das artistas mais ativas da dança brasileira. Nesses anos de vida dançante percorre caminhos solitários na sua investigação da vida, ainda que recolhendo aqui e lá vários artistas que colaboram na sua inquietude. E é exatamente esse estado de movência constante que interessa ao processo de intercâmbio e criação. A escolha por Dudude se deve à sua ampla experiência com improvisação em dança e ao compromisso com as questões ambientais, tema presente em sua trajetória artística e pessoal.

Nos primeiros dias da residência, o Parque das Nações Indígenas transformou-se em espaço de criação. Entre árvores, folhas ao vento, gramados, cantos de pássaros, capivaras, sol e brisa, os participantes deixaram que o corpo dialogasse com a paisagem, conduzidos pela sensibilidade poética de Dudude.

“Essa questão de ter a rua como lugar de sensível é muito importante. Primeiro porque estamos virando indivíduos fechados em nós mesmos. Segundo: a poesia da rua ela é um conjunto de humanidades e prolongamento da nossa casa, a rua é extensão da casa. Sair desses lugares (do teatro) é quase uma necessidade hoje também, então é uma ação política. Frequentar a rua, causando ruído, estranhamento e gentilezas. O poetar dentro do dançar, dançar a vida”, realça Dudude.

Artistas compartilham como a residência amplia a criação em diálogo com a cidade

Inspirados pela paisagem viva de Campo Grande, onde árvores centenárias, fauna e espaços públicos se tornam parte do processo criativo, dez artistas locais participam da residência: Ariane Nogueira, Febraro de Oliveira, Franciella Cavalheri, Henrique Lucas, Julia Aissa, Livia Lopes, Marcus Perez, Paulo Henrique, Renata Leoni e Roberta Siqueira. Para a artista da dança Franciella Cavalheri, do Corpomancia, a presença de Dudude fortalece uma pesquisa que ganha novos significados ao ser desenvolvida no território onde os artistas vivem.

“Conheço a Dudude há 10 anos e, sempre que quero aprofundar meus estudos em dança, vou até ela. Tê-la em Campo Grande é muito especial, porque podemos desenvolver essa pesquisa a partir do lugar onde vivemos. No Corpomancia já temos uma familiaridade com esses espaços, com lugares mais urbanos. Mas estar tão diretamente conectada com os seres que habitam esses espaços – as árvores, os animais, a grama, as formigas – tem sido uma experiência nova, que amplia a nossa forma de perceber e criar dança”, acrescenta. 

Para a artista da dança Julia Aissa, que veio de Dourados para participar, o intercâmbio tem sido um encontro filosófico dos corpos ali no presente; uma oportunidade desafiante de experimentar o corpo ao ar livre, num palco, digamos instável, como o espaço público. “Acho extremamente difícil porque são muitas interferências, o seu corpo, aquilo que você pretende fazer, o ambiente, as pessoas, a natureza. É uma experiência complexa e, ao mesmo tempo, muito rica. Sair do palco e dançar no cotidiano é um aprendizado que vai além da dança, é um aprendizado pra vida”, diz.

Programação inclui encontro aberto de improvisação

O intercâmbio poético começou no dia 05 e segue até 15 de julho. O projeto realiza processos abertos ao público no domingo (12), às 10h30, no Parque das Nações Indígenas (entrada do Museu Marco) e na segunda (13), às 16 horas, na Praça do Rádio Clube. E, como ação de formação prévia e de contrapartida, a equipe de criadores juntamente com Dudude, faz o encontro aberto de improvisação ´Dance up Dance´, na terça-feira (14), às 16 horas, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, com entrada gratuita. Mais informações pelo Instagram @aradocultural.  

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