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Como lidar com as expectativas e frustrações das crianças na Copa do Mundo?

por | jul 6, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Crédito: Wynitow Butenas/Hospital Pequeno Príncipe

A vivência do evento esportivo pode transformar-se em uma experiência educativa

Curitiba, 6 de julho de 2026 – A Copa do Mundo transforma a rotina das famílias, mobiliza escolas, enche ruas de bandeiras e cria um clima de entusiasmo coletivo que também envolve as crianças. Embora a competição desperte alegria e senso de pertencimento, também pode ser uma oportunidade para ensinar sobre expectativas, frustrações e amadurecimento emocional.

Segundo o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdades Pequeno Príncipe – unidade educacional do Complexo Pequeno Príncipe, vinculada a um dos maiores hospitais pediátricos do mundo, Hospital Pequeno Príncipe, e ao Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe –, Bruno Jardini Mäder, as crianças costumam vivenciar a expectativa pela Copa do Mundo de forma diferente dos adultos. Isso acontece porque ainda estão desenvolvendo habilidades cognitivas e emocionais que permitem diferenciar melhor o desejo da realidade.

“A criança tem mais dificuldade para modular suas expectativas. E a sua imaturidade cognitiva dificulta dela conseguir separar um pouco a expectativa da realidade. Ou seja, a expectativa de realização é muito próxima sensorialmente da própria realização”, explica o especialista.

Essa característica faz com que a espera pelo desempenho da seleção seja difícil. Enquanto os adultos compreendem que há várias etapas até uma possível conquista, para muitas crianças a ideia de ser campeã parece algo imediato. Além disso, a ansiedade pelo resultado pode surgir até durante as partidas, quando querem saber rapidamente quem vai vencer.

Por que as crianças criam expectativas na Copa do Mundo?

O psicólogo destaca que as expectativas infantis não surgem por acaso. Elas são construídas dentro de um contexto cultural fortemente marcado pela importância do futebol no Brasil. Durante a Copa do Mundo, adultos comentam os jogos, decoram casas, usam camisetas da seleção, organizam reuniões e acompanham as partidas.

Assim, as crianças observam toda essa movimentação e passam a compartilhar o mesmo entusiasmo. “Elas percebem o valor social e cultural desse momento histórico. Estão imersas nessa cultura e participam dela junto com a família e a sociedade”, realça Mäder. Por isso, é natural que criem expectativas e se envolvam emocionalmente com os resultados.

Como a derrota e a vitória viram aprendizado?

Embora a torcida esteja sempre voltada para a vitória, o especialista afirma que uma eventual derrota pode transformar-se em uma importante experiência educativa. O fracasso de um time permite que pais e cuidadores conversem sobre outras frustrações da vida, como não conseguir a nota desejada ou não participar de determinada atividade.

Nesse sentido, o papel dos adultos é validar os sentimentos da criança diante da decepção. “É importante reconhecer que perder é triste e frustrante. O que não significa permitir comportamentos agressivos ou descontar essa frustração nos outros.” A orientação é acolher a tristeza, conversar sobre o ocorrido e incentivar a resiliência, pois novas oportunidades surgirão no futuro.

Por outro lado, o aprendizado não acontece apenas quando o time perde. As vitórias também oferecem oportunidades valiosas para o desenvolvimento emocional. Segundo Mäder, saber ganhar é tão importante quanto saber perder. Isso significa comemorar sem humilhar adversários ou menosprezar quem torcia para outra seleção.

“O esporte é um espaço privilegiado para aprender a lidar com emoções. Quando a vitória acontece, também é preciso aprender a respeitar os sentimentos dos outros. Existem chances das coisas saírem do jeito que a gente pensou e do jeito que a gente não pensou.”

O papel dos pais e cuidadores

As disputas esportivas são formas de manifestar competitividade e de expressar emoções que, em outros contextos sociais, precisam ser controladas. Sua dimensão civilizatória permite canalizar impulsos agressivos e competitivos de maneira socialmente aceita, contribuindo para o aprendizado do autocontrole.

Além disso, possui uma importante dimensão cultural, especialmente evidenciada pela Copa do Mundo, que promove forte identificação coletiva e sentimento de pertencimento.

Para que a experiência da Copa do Mundo seja positiva, o psicólogo sugere que os pais e cuidadores valorizem aspectos que vão além do resultado dentro de campo. É um momento de ajudar as crianças a vivenciarem a disputa de forma divertida e saudável. Entre as recomendações estão:

explicar às crianças o significado da competição;
destacar o esforço e a dedicação dos atletas;
valorizar o mérito dos adversários;
promover momentos de convivência familiar durante os jogos;
envolver-se em todos os rituais ligados ao jogo;
ensinar respeito às diferenças e às torcidas;
aproveitar para apresentar elementos da cultura e da identidade nacional.
Sinais de frustração que merecem atenção

Embora seja normal que crianças fiquem tristes com uma derrota, o psicólogo alerta para comportamentos desadaptativos, ou seja, que atrapalham o desenvolvimento, tanto o social, relacional ou cognitivo, como:

recusar-se a ir à escola;
tornar-se excessivamente agressivo;
apresentar isolamento social;
manter reações desproporcionais por longos períodos.
Se esses sinais também aparecem em outras situações do cotidiano, e não apenas nas relacionadas ao futebol, os pais devem considerar buscar apoio profissional.

Sobre o Pequeno Príncipe

Com sede em Curitiba (PR), o Complexo Pequeno Príncipe reúne três unidades – Hospital Pequeno Príncipe, a Faculdades Pequeno Príncipe e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe – que trabalham de forma integrada para promover saúde, educação, pesquisa, além de incentivar a arte, a cultura e a mobilização social. Tudo isso atendendo à estratégia de valorização da sustentabilidade ambiental da instituição. Desde 2019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.

Em 2025, a unidade hospitalar foi listada como um dos 70 melhores hospitais do mundo que atuam com pediatria (ou que atendem crianças) no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo quinto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também este ano, o Pequeno Príncipe foi reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde que concede a certificação a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos de assistência.

Fundada em 2003, a Faculdades Pequeno Príncipe tornou-se uma das mais importantes instituições dedicadas ao ensino de saúde no Brasil. O Instituto, inaugurado em 2006, teve Edson Arantes do Nascimento – o Pelé – como padrinho, que empresta o nome e prestígio à instituição. A unidade desenvolve pesquisas para descobrir métodos de diagnóstico e cura para doenças complexas.

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