Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) revelou um suposto esquema que condicionava a liberação de exames, cirurgias e vagas em hospitais públicos estaduais à compra de livros vendidos por uma organização criminosa. A apuração faz parte da Operação Gutenberg, que investiga fraudes em contratos públicos que somam mais de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.
Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva, dos quais 12 foram cumpridos, além de 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo criminoso teria utilizado servidores públicos para direcionar contratações sem licitação destinadas à aquisição de livros paradidáticos. As investigações apontam que os recursos obtidos com os contratos eram distribuídos entre empresários, agentes públicos e empresas para ocultar a origem do dinheiro.
Ainda conforme o MPMS, servidores da área da saúde condicionavam a autorização de exames, cirurgias e internações na rede estadual à compra dos livros comercializados pelo grupo. Entre os investigados estão empresários, servidores públicos, uma médica, advogados, um ex-prefeito e familiares.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 69,8 mil em dinheiro e US$ 907 na residência de um dos investigados. O Governo do Estado informou que colaborou com a ação, determinou a exoneração dos servidores investigados e instaurou auditoria para apurar possíveis irregularidades. A OAB-MS acompanhou as diligências envolvendo advogados e afirmou que adotará as medidas cabíveis, respeitando o direito à ampla defesa.
De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa segue sendo investigada por suspeitas de fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.






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