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“Mapago” vence prêmio de Melhor Filme dos dois Mato Grosso em festival de cinema de Cuiabá

por | jul 6, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

CineMATO, que celebra 33 anos de história, realizou a premiação na noite deste domingo (5), último dia do festival

O curta-metragem “Mapago”, dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, foi o grande vencedor do Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme produzido entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante o 23º Festival de Cinema de Cuiabá – CineMATO. Realizado há 33 anos, o festival é um dos mais importantes do Centro-Oeste brasileiro e se consolidou como uma das principais vitrines do audiovisual nacional. A premiação aconteceu neste domingo (5), último dia do festival.

A conquista coloca em evidência uma produção nascida no interior de Mato Grosso do Sul e construída a partir das vivências do povo Guató. Com protagonismo das atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC — ambas mulheres indígenas Guató que vivem em contexto urbano também fora das telas — o filme rompe estereótipos ao retratar a resistência, o pertencimento e a identidade dos povos originários na contemporaneidade.

Para o diretor Marcus Teles, o prêmio representa muito mais do que um reconhecimento artístico. “Somos uma produção do interior do interior, sem distribuidora e sem a estrutura que normalmente acompanha grandes produções. Ver Mapago alcançar festivais importantes e compartilhar espaço com obras vindas de centros que já possuem uma cadeia cinematográfica consolidada é, por si só, uma grande vitória. Mais do que uma conquista para o filme, é a prova de que histórias produzidas a partir dos territórios indígenas e do interior do Brasil também têm força, qualidade e relevância para dialogar com públicos de todo o país”.

A estreia no CineMATO teve um significado ainda mais simbólico para a equipe. Segundo o diretor, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató, tornando o festival o cenário ideal para o início da circulação nacional da obra.

“Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os dois estados que concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató. Apresentar o filme pela primeira vez em Mato Grosso, um dos territórios que guardam a memória e a ancestralidade desse povo, é algo profundamente simbólico”.

Escrito a partir das próprias experiências de Gleycielli Nonato Guató, o roteiro acompanha Fagunda, uma mulher Guató que vive longe de seu território ancestral, e sua filha Serena, artista que encontra no funk e no hip hop caminhos para afirmar sua identidade indígena na cidade.

“O filme Mapago foi feito com essa força ancestral dentro do contemporâneo. São mulheres de periferia, são mulheres que sofrem com a desculturalização da sua cultura, perder e tentar manter a cultura ao mesmo tempo. Isso dá a força dessa linha de que nós podemos ser indígenas em qualquer lugar, no asfalto ou na mata. Nós somos indígenas em qualquer território, porque todo território é nosso”.

Para a roteirista, o maior legado do filme está em permitir que os próprios indígenas contem suas histórias. “Quando eu era criança, eu não me via em filmes, eu não me via em literatura, não me via na arte. Hoje nós temos a oportunidade de falar por nós na literatura, no cinema, na arte. Hoje nós temos a oportunidade de ser protagonistas de nossas próprias histórias e Mapago traz isso”.

Além da premiação no CineMATO, o curta segue sua trajetória nacional com exibições confirmadas no Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, ainda este mês e no Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís (MA), um dos festivais de cinema mais tradicionais do país, no mês de agosto.

Marcus Teles acredita que essa circulação amplia o alcance da obra e fortalece o audiovisual sul-mato-grossense. “Levar essa narrativa para festivais nacionais é fundamental para ampliar o olhar sobre a diversidade dos povos indígenas no Brasil e também sobre o cinema que vem sendo produzido em Mato Grosso do Sul. Os festivais são espaços essenciais para promover esse diálogo e estimular novas formas de representação”.

Sinopse

Fagunda é uma mulher Guató que carrega as marcas do afastamento de seu território ancestral. Sua filha Serena encontra no funk, no hip hop e na arte caminhos para reafirmar sua identidade indígena em contexto urbano. Entre memórias, ausências e resistências, mãe e filha atravessam os desafios de viver entre tradição e contemporaneidade, mantendo viva a força ancestral de seu povo.

Este projeto conta com incentivo da PNAB (Programa Nacional Aldir Blanc).

Fotos: Eduardo Andrade

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