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Veja o que acontece com investidores que têm mais de R$ 250 mil aplicados no Banco Master

por | jan 23, 2026 | Últimas notícias

Os ressarcimentos do Fundo Garantidor de Créditos a investidores do Banco Master começaram no último sábado, cobrindo valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Para quem possuía aplicações acima desse limite, o cenário é mais incerto e o recebimento do excedente depende do processo de liquidação do banco, da qualidade dos ativos e de possíveis disputas judiciais.

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial por decisão do Banco Central em 18 de novembro de 2025. Sessenta dias depois, o FGC iniciou o pagamento da parte garantida, em uma operação considerada a maior da história do fundo, com previsão de desembolso de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores. Até o momento, aproximadamente 569 mil pedidos foram registrados e 377 mil credores já avançaram para a fase de pagamento.

Os valores que ultrapassam o limite de R$ 250 mil não contam com a proteção do FGC e passam a integrar a chamada massa de credores do banco. Nessa condição, os investidores se tornam credores quirografários, sem garantia de recebimento. Eles só terão direito a algum ressarcimento se, ao final da liquidação, houver recursos suficientes após o pagamento de obrigações trabalhistas, tributos e créditos com garantias reais.

Segundo o advogado Jorge Calazans, especialista na defesa de investidores, a possibilidade de recuperação do excedente existe, mas é incerta, parcial e pode levar anos. De acordo com ele, três fatores são determinantes: o tamanho real do rombo patrimonial, a capacidade de vender os ativos remanescentes a preços de mercado e o peso das classes preferenciais de credores.

No caso do Banco Master, as perspectivas são ainda mais delicadas devido às suspeitas de fraude. A prisão do controlador, posteriormente revogada, e as acusações de gestão fraudulenta indicam possível destruição adicional de valor. Para o professor de finanças Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, esses elementos reduzem as chances de recuperação integral dos valores acima do limite garantido.

O professor afirma que sinais de fragilidade já eram perceptíveis antes da liquidação, como o custo elevado de captação, com CDBs pagando até 140% do CDI, e o crescimento acelerado de depósitos cobertos pelo FGC. Outro indicativo citado foi o veto do Banco Central à tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília, o que reforçaria a avaliação de que a carteira da instituição era composta por ativos de baixa qualidade e problemas de governança.

Para receber os valores garantidos pelo FGC, pessoas físicas devem realizar o procedimento pelo aplicativo oficial do fundo, disponível nas lojas Apple Store e Play Store. Pessoas jurídicas precisam acessar o site do FGC. O processo envolve cadastro, validação de identidade, indicação de conta bancária e solicitação do pagamento, que é depositado em até dois dias úteis após a confirmação.

Já para o excedente, o caminho passa obrigatoriamente pela liquidação extrajudicial. Especialistas recomendam que os investidores guardem toda a documentação relacionada às aplicações, como contratos, extratos e comprovantes. Em casos mais complexos, também pode ser avaliada a responsabilização civil e penal de administradores, como forma de ampliar as chances de ressarcimento.

A recuperação dos valores acima de R$ 250 mil dependerá do volume e da liquidez dos ativos do banco, da existência de disputas judiciais e da qualidade da carteira de crédito. Caso os recursos tenham sido aplicados em operações sólidas, há possibilidade de retorno parcial. Se, por outro lado, os ativos forem de alto risco e baixa recuperação, as perdas tendem a ser maiores.

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada conglomerado financeiro para produtos como depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, letras de crédito imobiliário e do agronegócio, entre outros. Valores acima desse teto permanecem sujeitos aos desdobramentos do processo de liquidação do Banco Master.

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