Uma prática inusitada tem conquistado cada vez mais adeptos na Coreia do Sul: consultas de tarô voltadas exclusivamente para animais de estimação. A tendência ganhou força em Seul, onde tutores recorrem à leitura das cartas para tentar compreender sentimentos, comportamentos e até possíveis dores físicas de cães, gatos e outros pets.
O serviço, que custa cerca de R$ 80 por sessão, é procurado principalmente por pessoas que consideram os animais integrantes da família ou seus principais companheiros, em um contexto de queda acentuada da taxa de natalidade e aumento do número de lares com pets no país.
Animais escolhem as cartas
Diferentemente das consultas tradicionais, no tarô para pets os próprios animais participam da leitura. Durante a sessão, eles são incentivados a escolher as cartas utilizando o focinho ou as patas.
Para atender à crescente procura, a cartomante Hwang Soo-Kyung desenvolveu um baralho específico para animais e abriu o estúdio Ace Sophia, localizado no distrito de Gangnam, em Seul.
Segundo a especialista, muitos tutores retornam para novas consultas após a primeira experiência.
“Eles voltam porque, quando você começa a perguntar o que seu cachorro está pensando, não consegue mais parar”, afirmou à imprensa local.
Leituras prometem revelar emoções e dores
Os praticantes do tarô pet afirmam que as cartas podem indicar estados emocionais, traumas psicológicos e até desconfortos físicos. Em alguns casos, cartas específicas seriam interpretadas como sinais de dores nas articulações ou outros problemas de saúde.
A tutora Ahn Hye-Joo procurou o serviço para entender a ansiedade apresentada por seu cachorro após o nascimento dos filhotes. Segundo ela, a leitura trouxe explicações que, em sua avaliação, não haviam sido identificadas por veterinários ou adestradores.
“Essas coisas que um veterinário ou adestrador não veria como particularmente problemáticas, o tarô conseguiu ler, e achei isso incrivelmente reconfortante”, declarou em entrevista à agência Reuters.
Outros clientes relatam buscar as consultas para compreender possíveis traumas antigos e acompanhar processos de recuperação emocional dos animais.
Fenômeno acompanha mudanças sociais
O crescimento da prática acompanha transformações no perfil da sociedade sul-coreana. Com o alto custo de vida e a redução da taxa de natalidade, muitos jovens optam por ter animais de estimação em vez de filhos.
Dados divulgados pelo governo da Coreia do Sul mostram que 29,2% dos lares do país possuem pelo menos um animal de estimação. Em 2010, esse percentual era de 17,4%, evidenciando o aumento da presença dos pets nas famílias sul-coreanas.
Especialistas reforçam importância dos cuidados veterinários
Embora o tarô para animais esteja em alta e desperte curiosidade, a prática não possui comprovação científica de que seja capaz de diagnosticar emoções ou problemas de saúde. Por isso, especialistas reforçam que consultas com cartomantes não substituem o acompanhamento de médicos-veterinários ou profissionais de comportamento animal.
Diante de qualquer alteração física ou comportamental, a orientação continua sendo procurar atendimento veterinário para avaliação e tratamento adequados.







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