Programação reúne os escritores Gleycielli Nonato, Sarah Muricy e Febraro de Oliveira, com
oficinas e contação de histórias voltadas à formação de leitores.
Entre palavras que correm como água e histórias que atravessam territórios, Campo Grande
recebe a primeira edição do ´Prosas Festival´, nos dias 23 e 24 de abril. A iniciativa leva a
literatura sul-mato-grossense ao bairro Noroeste, com foco no incentivo à leitura e na
democratização do acesso à cultura. O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir
Blanc (PNAB), pela Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (FUNDAC)
e Prefeitura Municipal de Campo Grande via Governo Federal e Ministério da Cultura.
Idealizado pela bibliotecária e produtora cultural Ana Carolina Triches, o Festival se inspira nas
nascentes dos córregos que atravessam Campo Grande, propondo um fluxo que faz brotar,
nos espaços públicos, o interesse pela leitura e a valorização da literatura local. Em sua
etimologia, ´prosas´ remete a uma escrita livre e direta, que flui sem se prender a estruturas;
como a água, que sempre encontra caminhos.
“O projeto busca difundir a literatura sul-mato-grossense e seus fazedores nos espaços
públicos e educacionais da capital, criando ambientes propícios à leitura, à troca de saberes e à
construção de conhecimento. Além disso, almeja incentivar a formação de novos leitores e
fomentar a economia criativa do território. Ao valorizar e incluir na programação autores,
autoras e artistas de MS, a iniciativa promove a inclusão e a democratização do acesso à
cultura, especialmente nas comunidades periféricas da capital”, destaca Ana.
Primeira edição acontece na região do Noroeste
O bairro Noroeste foi escolhido para sediar a primeira edição do ´Prosas Festival´. Conforme a
idealizadora, essa escolha vem da necessidade de ampliar o acesso de crianças e adolescentes
dessa região às ações culturais e educacionais, reduzindo barreiras físicas e linguísticas e
fortalecendo o contato com a literatura: “Entendemos que esse movimento também contribui
para o desenvolvimento de um pensamento mais crítico e sensível entre os participantes”.
Ainda segundo Ana, esse território enfrenta limitações estruturais no acesso à cultura: “O
Noroeste conta com apenas uma biblioteca comunitária. É uma região com mais de 80 mil
habitantes, que convive com desafios de infraestrutura e desigualdades socioeconômicas, mas
que também resiste e produz cultura”.
Programação reúne escritores Gleycielli Nonato, Sarah Muricy e Febraro de Oliveira
A programação nasceu a partir de ações pedagógicas alinhadas ao conceito do Festival, como
explica a coordenadora pedagógica Marcus Perez: “A água como essa coisa que insiste, que
contorna obstáculos, que chega em alguns lugares, foi o nosso ponto de partida pra pensar
uma palavra que alcança um território que ainda é pouco acessível em relação a literatura. A
escolha de autores e autoras locais reforça essa travessia. Como na ideia de que a água sempre
encontra seu percurso, o festival aposta na oralidade e na potência dessas vozes para alcançar
um território fértil, pronto para ser atravessado pela palavra”.
Gleycielli Nonato, indígena do Povo Guató do Pantanal, escritora, contadora de histórias
indígenas, atriz, radialista e professora de História da Arte, traz a ´Contação de Histórias:
Guadakan dos Encantados´. A contação de histórias indígenas convida o público infantil a
mergulhar num universo de encantamento, memória e resistência, a partir de narrativas
inspiradas em suas obras autorais: ´Vila Pequena´, ´A Revolução de Cati Guató´ e ´Corixo dos
Bichos´.
A escritora Sarah Muricy realiza a ´Oficina Escrita de si em prosa´, uma jornada prática voltada
para quem deseja explorar a própria história através da narrativa literária. O encontro busca
desmistificar a ideia de que a escrita autobiográfica é apenas um registro factual,
apresentando-a como uma ferramenta de criação artística e autoconhecimento. Diferente de
uma biografia tradicional, a oficina foca na prosa sensível. Os participantes serão guiados por
exercícios que ajudam a transformar vivências, fragmentos de memória e o cotidiano em
textos com fôlego literário.
O escritor, poeta, performer e professor de escrita literária, Febraro de Oliveira apresenta a
´Oficina de escrita para criança invocada´. Qual a diferença entre um texto e uma bagunça?
Qual história, contada por nossos avós, se transforma em outra história quando passa pela
nossa voz? Nesta oficina, crianças invocadas serão convidadas a brincar com palavras,
memórias, personagens, exageros e invenções, descobrindo que escrever também pode ser
desobedecer um pouco: mudar o começo, trocar o final, criar mundos tortos, dar voz às coisas,
lembrar das ruas em que caímos e transformar literatura em bagunça.
Como ação de contrapartida, o projeto realiza no dia 02 de maio, às 10 horas, uma mediação
artística para professores da rede pública de ensino, com Kelly Queiroz, na Hámor Livraria. A
inscrição é gratuita e pode ser feita por este link . Acompanhe todas as ações do projeto pelo
Instagram @prosasfestival .
Prosas Festival
23 de abril (quinta-feira):
Escola Municipal Senador Rachid Saldanha Derzi
9h30: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato e ´Oficina de
escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira.
15h30: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato e ´Oficina de
escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira.
24 de abril (sexta-feira):
CRAS Jardim Noroeste – Hercules Mandetta
8h: abertura oficial do Festival.
8h15: ´Contação de Histórias: Guadakan dos Encantados´, com Gleycielli Nonato, aberta para o
público em geral.
9h15: ´Oficina de escrita para criança invocada´, com Febraro de Oliveira e ´Oficina Escrita de si
em prosa´, com Sarah Muricy.
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