Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, avaliam que uma eventual prisão domiciliar de Jair Bolsonaro pode alterar o cenário da disputa presidencial dentro do bolsonarismo. Nos bastidores, a medida é vista como uma oportunidade para convencer o ex-presidente a apoiar Tarcísio como candidato ao Palácio do Planalto, em vez do filho, o senador Flávio Bolsonaro.
Entre apoiadores do governador, a leitura é de que, cumprindo pena em casa, Bolsonaro estaria mais exposto à influência de familiares e lideranças políticas que defendem o nome de Tarcísio. Nesse grupo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece como uma das principais articuladoras. Apontada como possível candidata a vice na chapa do governador, ela tem atuado em sintonia com Tarcísio e buscado diálogo com ministros do Supremo Tribunal Federal para viabilizar a prisão domiciliar do marido.
A movimentação, no entanto, é vista com cautela por aliados de Flávio Bolsonaro. Para esse grupo, o efeito pode ser contrário ao esperado pelos entusiastas de Tarcísio. A avaliação é de que, em casa, Jair Bolsonaro teria mais tempo e condições de acompanhar de perto o crescimento político do filho, o que poderia reforçar sua decisão de mantê-lo como principal herdeiro eleitoral do bolsonarismo.
Como já noticiado, aumentou nas últimas semanas a expectativa entre aliados do ex-presidente de que o ministro Alexandre de Moraes autorize o cumprimento de pena em regime domiciliar. A definição é aguardada com atenção por diferentes alas do grupo político ligado a Bolsonaro.
Por enquanto, Tarcísio de Freitas mantém publicamente o discurso de que será candidato à reeleição ao governo de São Paulo. Ao mesmo tempo, demonstra apenas um apoio discreto à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Nos bastidores, porém, a disputa pela preferência do ex-presidente segue aberta, e a eventual prisão domiciliar é tratada como um fator capaz de influenciar diretamente essa escolha.






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