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Operação investiga esquema milionário com remédios contra o câncer e prende advogados em MS

por | abr 24, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apura um esquema suspeito de desvio de recursos públicos envolvendo a compra de medicamentos contra o câncer. A ação, batizada de “OncoJuris”, foi deflagrada nesta quinta-feira (23) em Campo Grande e investiga a movimentação de cerca de R$ 78 milhões nos últimos 12 meses.

Durante a operação, cinco pessoas foram presas, entre elas os advogados Altair Malhada e Victor Guilherme Lezo. Outras três prisões foram realizadas, mas os nomes não foram divulgados. As defesas dos investigados não foram localizadas até a última atualização.

Segundo as investigações, o grupo utilizava decisões judiciais para obrigar o poder público a fornecer medicamentos de alto custo. Há suspeitas de fraude processual, superfaturamento e direcionamento para fornecedores irregulares.

De acordo com a delegada Ana Cláudia Medina, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o esquema era estruturado em quatro núcleos: administrativo, com participação de pessoas ligadas à área da saúde; jurídico, responsável pelas ações judiciais; empresarial, formado por empresas que comercializavam os produtos; e de importação, encarregado de trazer os medicamentos do exterior, muitas vezes sem seguir as normas legais.

As apurações indicam que parte dos medicamentos pode ter sido importada sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, levantando dúvidas sobre a qualidade e a procedência dos produtos. A Receita Federal do Brasil também identificou indícios de irregularidades fiscais relacionadas ao esquema.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os medicamentos eram adquiridos por valores baixos e revendidos ao poder público com preços que chegavam a ser até 70 vezes maiores. Para o promotor Adriano Lobo Viana de Resende, o grupo atuava de forma agressiva, explorando pacientes em situação de vulnerabilidade.

Um dos pontos mais graves investigados envolve mortes de pacientes que teriam utilizado os medicamentos. Ainda não há confirmação de relação direta entre os produtos e os óbitos, mas os casos passaram a ser tratados como prioridade pelas autoridades.

Cerca de 10 mil processos judiciais já foram encaminhados para análise, e não há, até o momento, um número exato de pessoas afetadas pelo esquema.

Nesta fase da operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão — quatro em Campo Grande e um em Ribas do Rio Pardo — além de 21 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Novas fases da investigação não estão descartadas.

Em nota, o governo do estado informou que acompanha o caso desde 2025 e que adotou medidas internas de controle, com apoio da Controladoria-Geral do Estado. Já a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul afirmou que acompanha o caso e poderá adotar medidas disciplinares, garantindo o direito à ampla defesa.

As autoridades ressaltam que, neste momento, não é necessário que pacientes procurem órgãos como a Defensoria Pública, já que os processos estão sendo auditados para dimensionar os impactos e possíveis prejuízos.

As informações são do G1 MS.

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