Uma operação deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande. A ação, batizada de “Buraco Sem Fim”, apura um esquema de desvio de recursos públicos na manutenção de vias urbanas, com contratos que ultrapassam R$ 113 milhões.
A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Em um dos endereços ligados a um servidor, os agentes encontraram R$ 186 mil em espécie. Já em outro imóvel, pertencente a outro investigado, foram localizados R$ 233 mil, também em notas de real.
Esquema estruturado de fraudes
Segundo o MPMS, as apurações identificaram a atuação de uma organização criminosa que fraudava de forma sistemática a execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. O grupo manipulava medições de obras para justificar pagamentos por serviços não realizados ou executados parcialmente.
As evidências apontam que os valores pagos pelo poder público não correspondiam aos serviços efetivamente prestados, permitindo o desvio de recursos, o enriquecimento ilícito dos envolvidos e impactando diretamente na qualidade das vias públicas.
Levantamento do Ministério Público indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada firmou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02 com o município.
Prisões e envolvidos
Entre os presos está o ex-secretário municipal de Obras e atual diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese. Também foram detidos:
- Edvaldo Aquino, apontado como coordenador das ações de tapa-buracos e exonerado após a operação
- Antonio Bittencourt, empresário do setor de construção civil
- Mehdi Talayeh, engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), também exonerado
- Erick Antônio Valadão de Paula, servidor investigado
- Fernando de Souza Oliveira, servidor ligado à área de infraestrutura
- Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa
As defesas dos investigados informaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos e devem se manifestar posteriormente.
Reincidência em investigações
Parte dos alvos da operação já havia sido investigada anteriormente, em 2023, na Operação Cascalhos de Areia, que apurou supostas fraudes em contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de máquinas.
Na ocasião, o MPMS apontou indícios de crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo contratos que teriam movimentado mais de R$ 300 milhões.
Posicionamentos oficiais
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que o governo estadual não é alvo da investigação e que os fatos apurados se referem ao período em que Rudi Fiorese atuava na Prefeitura de Campo Grande. A pasta também confirmou a exoneração do gestor.
Já a Prefeitura de Campo Grande informou anteriormente que os contratos investigados dizem respeito à manutenção de vias pavimentadas firmados a partir de 2017, em gestão anterior.
O ex-prefeito e atual vereador Marquinhos Trad declarou que não irá se manifestar sobre o caso por não ser investigado e não ter conhecimento dos fatos.
A operação segue em andamento e investiga possíveis crimes contra a administração pública e outros delitos correlatos.
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