O Ministério Público de São Paulo (MPSP) tenta, pela segunda vez, ouvir a influenciadora Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, conhecida como Bia Miranda, sobre o acidente de trânsito ocorrido em 20 de agosto do ano passado, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, uma das vias mais movimentadas da capital paulista. Até o momento, ela não prestou depoimento às autoridades.
Na ocasião, Bia Miranda estava no banco do passageiro de um Porsche 911 Carrera conduzido pelo então namorado, Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como Gato Preto. O acidente aconteceu por volta das 6h30, quando o veículo de luxo avançou o sinal vermelho e colidiu violentamente contra um Hyundai HB20 que atravessava o cruzamento com o semáforo aberto.
Imagens do sistema de monitoramento Smart Sampa confirmaram que o Porsche trafegava em alta velocidade e não apresentou qualquer sinal de frenagem antes da colisão. Com o impacto, os dois carros foram arremessados em direção ao canteiro central da via. O passageiro do HB20 sofreu fratura na mandíbula.
Testemunhas e vítimas relataram que, logo após o acidente, Gato Preto teria demonstrado comportamento agressivo, rido da situação, humilhado os envolvidos e feito ameaças antes de deixar o local. O segurança de Bia Miranda, que seguia o casal em um Hyundai Creta, admitiu ter retirado objetos do interior do Porsche e levado ambos embora antes da chegada da polícia, o que dificultou a preservação da cena do acidente.
Para o Ministério Público, a oitiva de Bia Miranda é importante para esclarecer a dinâmica dos fatos e verificar se ela sofreu lesões corporais ou recebeu atendimento médico após a colisão. A promotoria também destacou que a influenciadora deixou o local sem prestar apoio às vítimas, sendo auxiliada por seguranças particulares. Um dos funcionários alegou que ela teria desmaiado no local, justificando a retirada.
Embora a Polícia Civil tenha concluído o relatório final da investigação, o MPSP manifestou, nesta terça-feira (22), a necessidade de novas diligências, incluindo a realização de laudo pericial complementar e o depoimento de Bia Miranda.
Gato Preto também não foi formalmente ouvido durante a investigação, mas foi indiciado na última segunda-feira (19) por quatro crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro: lesão corporal culposa, embriaguez ao volante, fuga do local do acidente e alteração da cena. Detido em flagrante no dia do ocorrido, ele permaneceu em silêncio na delegacia e, posteriormente, não prestou depoimento devido a sucessivas desistências de seus advogados. Por isso, o indiciamento ocorreu de forma indireta.
A investigação reuniu imagens do Smart Sampa, depoimentos das vítimas e laudo toxicológico que apontou a presença de álcool, MDA, uma droga sintética, e THC, substância presente na maconha, no organismo do influenciador.
Enquanto a Polícia Civil trata o caso como crime culposo, o Ministério Público sustenta que a conduta de Gato Preto configura tentativa de homicídio com dolo eventual. Para a promotoria, ao dirigir em alta velocidade, sob efeito de álcool e drogas e desrespeitar o sinal vermelho, ele assumiu o risco de matar. Com base nesse entendimento, a Justiça determinou a redistribuição do processo para uma das Varas do Júri.
Até o momento, não há denúncia formal apresentada. Caso Gato Preto seja acusado por tentativa de homicídio com dolo eventual, ele poderá ser julgado pelo Tribunal do Júri, com pena prevista de seis a 20 anos de prisão, ou de 12 a 30 anos em caso de homicídio qualificado, com redução de um a dois terços.
As defesas de Bia Miranda e Gato Preto não foram localizadas. O espaço segue aberto para manifestações.









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