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Moradores denunciam insegurança e aumento da violência na região da antiga rodoviária de Campo Grande

por | jul 14, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Prédio da antiga rodoviária, no centro da capital. — Foto: g1MS/ Reprodução

Moradores e comerciantes do entorno da antiga rodoviária de Campo Grande afirmam conviver diariamente com furtos, roubos e episódios de violência. Apesar das operações policiais e da redução nos índices oficiais de criminalidade, eles relatam que a sensação de insegurança continua fazendo parte da rotina na região central da Capital.

Entre as principais reclamações estão a presença de pessoas em situação de rua, usuários de drogas, invasões de imóveis e o tráfico de entorpecentes. Segundo quem vive e trabalha no local, o cenário mudou significativamente após a desativação da antiga rodoviária.

A diarista Odila de Almeida conta que deixou de trabalhar na região por medo da violência. Já o aposentado João Tomicha afirma que as brigas são frequentes e diz temer ser atingido durante os conflitos.

Morador do bairro há mais de quatro décadas, o guia de turismo Carlos Iracy Coelho Netto lembra que a realidade era diferente quando chegou ao local. Segundo ele, era comum as crianças brincarem nas ruas sem preocupação, situação que mudou com o passar dos anos.

Carlos atribui parte da transformação ao esvaziamento da antiga rodoviária. Para permanecer no imóvel, a família investiu em reforço na segurança, com instalação de muros mais altos, grades, cerca elétrica, câmeras, sistema de alarme e monitoramento.

O prédio da antiga rodoviária está em obras há quatro anos e, segundo moradores e comerciantes, a falta de ocupação do espaço contribui para o aumento da criminalidade. Em junho deste ano, uma briga na região deixou cinco pessoas feridas, três delas em estado grave, após vítimas tentarem recuperar celulares roubados.

Em setembro de 2023, a Guarda Civil Metropolitana chegou a instalar uma base móvel de monitoramento 24 horas no local, mas a estrutura foi posteriormente desativada.

Além das ações de segurança, órgãos públicos também realizam atendimentos voltados à população em situação de rua. A Defensoria Pública presta assistência jurídica, enquanto equipes da assistência social fazem abordagens, acolhimento e encaminhamento para serviços públicos e oportunidades de trabalho. Conforme a Secretaria Municipal de Assistência Social, o acolhimento é voluntário e pode ser recusado pela pessoa abordada.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram redução nos crimes registrados na região central entre janeiro e março, na comparação entre 2023 e 2026. Os roubos em via pública caíram 65,48%, os roubos de veículos diminuíram 55,56%, os furtos tiveram redução de 22,48% e os homicídios dolosos recuaram 75%.

Mesmo com os indicadores em queda, moradores afirmam que a sensação de insegurança permanece.

Em nota, a Polícia Militar informou que mantém patrulhamento preventivo diário na região com equipes do 1º Batalhão e de unidades especializadas, podendo reforçar o policiamento conforme a demanda. A corporação também orienta a população a registrar boletins de ocorrência e realizar denúncias pelos telefones 190 e 181, contribuindo para o planejamento das ações de segurança.

Já a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos informou que o atendimento direto à população em situação de rua é de responsabilidade do município, cabendo ao Estado prestar apoio técnico, financeiro e de articulação entre os órgãos públicos.

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