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Médica denuncia transfobia, caos e falha grave de equipamento durante plantão em UPA de Campo Grande

por | abr 13, 2026 | Últimas notícias

 Foto: TV Morena

Uma médica de 27 anos denunciou ter sido vítima de transfobia e de enfrentar condições precárias de trabalho durante um plantão na UPA Coronel Antonino, em Campo Grande, no último domingo (12). O caso foi registrado na polícia como prática de discriminação por identidade de gênero, com base na legislação que equipara LGBTfobia ao crime de racismo.

Segundo o relato, a profissional assumiu o plantão no início da tarde e encontrou a unidade superlotada, com pacientes em estado grave na chamada “sala vermelha” e fluxo intenso de atendimentos vindos do Samu e do Corpo de Bombeiros. A situação teria dificultado o acompanhamento adequado dos casos mais críticos, que incluíam choque séptico, insuficiência cardíaca e problemas respiratórios.

Além da sobrecarga, a médica denunciou falhas graves na estrutura da unidade. Durante uma intubação de emergência, o único equipamento manual de ventilação disponível — já remendado — quebrou no meio do procedimento, deixando o paciente cerca de 30 segundos sem ventilação adequada. A equipe precisou improvisar com um ambu pediátrico em um adulto, enquanto o paciente chegou a registrar queda significativa na oxigenação.

A profissional relatou ainda a ausência de equipamentos reserva, dificuldades para registrar atendimentos devido à demanda excessiva e falta de suporte médico suficiente para lidar com o volume de casos.

A situação se agravou, segundo a denúncia, com a chegada da diretora da unidade. A médica, que se identifica como travesti, afirma ter sido tratada com desrespeito, tendo sua identidade de gênero ignorada. De acordo com o boletim, a superior utilizou pronomes masculinos mesmo após correções, adotou postura considerada agressiva e desconsiderou as explicações clínicas antes de fazer críticas.

Ainda conforme o relato, a discussão terminou com a médica sendo impedida de continuar no plantão. Ela afirma que foi “expulsa” da unidade sem formalização por escrito, o que, segundo ela, fere princípios éticos da profissão. Antes de deixar o local, a profissional repassou os casos à equipe e registrou as informações dos pacientes.

A Polícia Militar foi acionada ainda durante o plantão, e o caso foi formalizado posteriormente na delegacia. A ocorrência foi registrada como discriminação por identidade de gênero, podendo ser enquadrada na Lei de Racismo, além de possível abuso de autoridade.

Até o momento, a Prefeitura de Campo Grande e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande não se manifestaram sobre o caso. A investigação segue em andamento.

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