O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar as apostas esportivas online, conhecidas como bets, e afirmou ser favorável à proibição desse tipo de atividade no país. Em entrevista, ele demonstrou preocupação com o aumento do endividamento das famílias brasileiras e os impactos do vício em jogos.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, declarou o presidente, ao destacar que a decisão depende de articulação com o Congresso Nacional. Segundo Lula, o tema é sensível e envolve interesses políticos, já que o setor possui forte influência e participação no financiamento de campanhas.
O presidente afirmou que o crescimento das apostas tem contribuído para agravar a situação financeira da população, impulsionado pela promessa de ganhos rápidos. Ele também ressaltou que o problema deve ser tratado como uma questão de saúde pública, citando casos de pessoas que perderam bens e enfrentaram consequências graves por conta do vício.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que, no primeiro trimestre de 2025, os brasileiros chegaram a gastar até R$ 30 bilhões por mês com apostas online.
Ao defender restrições mais duras, Lula comparou o cenário atual com períodos anteriores, quando jogos de azar, como cassinos e o jogo do bicho, eram proibidos no país. Para ele, a tecnologia facilitou o acesso às apostas, inclusive por crianças e adolescentes.
Apesar da posição do presidente, o setor de apostas é regulamentado no Brasil. A legalização começou com a Lei 13.756, de 2018, e foi ampliada em 2023, com regras para funcionamento e tributação das plataformas. A regulação está sob responsabilidade do Ministério da Fazenda, que criou a Secretaria de Prêmios e Apostas.
Mesmo com críticas, a atividade tem gerado aumento na arrecadação. Dados da Receita Federal mostram que, apenas nos dois primeiros meses deste ano, o setor movimentou R$ 2,5 bilhões em tributos, crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior.
O debate sobre o futuro das bets no Brasil deve seguir no centro das discussões políticas, envolvendo questões econômicas, sociais e de saúde pública.
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