Antes de definir se o Brasil vai integrar o Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem realizado uma rodada de conversas com representantes de países que também receberam convite para participar do colegiado.
Nos últimos dias, Lula falou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. As conversas tiveram como foco principal a situação na Faixa de Gaza, os esforços internacionais por um cessar-fogo e a defesa do multilateralismo.
Na quinta-feira, Lula conversou com Narendra Modi. Segundo comunicado do governo brasileiro, os dois reforçaram a necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e do Conselho de Segurança da ONU, além de reiterarem o compromisso com a paz em Gaza, com a defesa da democracia e com soluções multilaterais para conflitos internacionais.
Na sequência, o presidente brasileiro falou com Mahmoud Abbas. De acordo com nota do Palácio do Planalto, Lula manifestou satisfação com o cessar-fogo em Gaza, consultou o líder palestino sobre as perspectivas de reconstrução da região e reafirmou o compromisso do Brasil com a paz no Oriente Médio. Os dois também trocaram impressões sobre o plano de paz em andamento e decidiram manter contato permanente sobre o tema. Israel e o Hamas aprovaram, em outubro de 2025, o plano de cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos, que atualmente se encontra na segunda fase, voltada à desmilitarização e à reconstrução completa de Gaza, apesar de dificuldades enfrentadas na etapa inicial.
Na quarta-feira, Lula já havia conversado com Recep Tayyip Erdoğan. Segundo o Planalto, os dois discutiram a situação humanitária na Faixa de Gaza e os esforços internacionais para a construção da paz na região.
O Conselho de Paz foi oficializado em uma cerimônia com pouca adesão durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ainda não há clareza sobre qual será a autoridade legal do órgão, quais instrumentos de execução terá ou como irá atuar em conjunto com a ONU e outras organizações internacionais. O estatuto do Conselho prevê amplos poderes executivos ao presidente americano Donald Trump, incluindo a possibilidade de vetar decisões e destituir integrantes, dentro de algumas limitações. A carta constitutiva estabelece que o grupo deve exercer funções de consolidação da paz em conformidade com o direito internacional.
Nos bastidores, o governo brasileiro afirma que não há pressa para responder ao convite e que a decisão não deve ser anunciada nesta semana, pois as análises políticas e jurídicas ainda estão em andamento. Diplomatas têm demonstrado preocupação com uma possível sobreposição de atribuições com o Conselho de Segurança da ONU e com a amplitude do mandato do novo órgão, especialmente em relação a conflitos além de Gaza. Também não está definido se a adesão ao Conselho exigiria aprovação dos parlamentos nacionais.
Entre os países que já aceitaram o convite para integrar o Conselho de Paz estão Argentina, Arábia Saudita, Catar, Egito e Israel.






0 comentários