O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom do discurso político ao criticar adversários que se colocam como pré-candidatos à Presidência. Em entrevista nesta última quarta-feira (8), ele acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de defender interesses externos e afirmou que há risco de o Brasil abrir mão de recursos naturais estratégicos.
Segundo Lula, propostas envolvendo a exploração de minerais críticos e terras raras podem comprometer a soberania nacional. “O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil”, declarou.
A crítica faz referência a uma fala recente do senador, que defendeu, durante um evento nos Estados Unidos, o fornecimento de minerais estratégicos brasileiros ao governo de Donald Trump como forma de contraponto à influência da China.
Lula também direcionou críticas ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). O presidente classificou como “vergonha” um memorando de entendimento firmado entre o estado e os Estados Unidos para exploração de minerais críticos.
“É uma vergonha o que foi feito, porque envolve concessões de recursos que pertencem à União”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula alertou para o interesse internacional sobre as riquezas naturais do país e defendeu maior cautela na exploração desses recursos. “Se a gente não tomar cuidado, vão querer vender o Brasil”, disse, ao citar a importância de preservar minerais estratégicos, florestas e outras riquezas nacionais.
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de energia limpa. O Brasil possui uma das maiores reservas do mundo, o que tem ampliado o interesse de potências internacionais.
As declarações ocorrem em meio à movimentação política para as eleições presidenciais. Na mesma entrevista, Lula afirmou que ainda não decidiu se será candidato, embora tenha indicado que a definição deve ocorrer na convenção partidária prevista para junho.
Ele também condicionou uma eventual candidatura ao seu estado de saúde. O presidente completa 81 anos em outubro e já declarou anteriormente que só disputará a eleição se estiver “100%” apto.
Apesar da indefinição oficial, Lula já sinalizou que pretende manter o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), em uma possível chapa.
Levantamentos recentes de intenção de voto indicam cenário acirrado. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, evidenciando a polarização que deve marcar a disputa eleitoral.
0 comentários