Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres já atendeu cerca de 2,2 mil mulheres e atua com acolhimento, orientação e encaminhamento à rede de proteção
A violência doméstica avançou em Mato Grosso do Sul. Segundo dados recentes do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica cresceram 19,4% no Estado em 2025. Quando a agressão cresce, a resposta também precisa chegar mais perto, com serviço preparado para acolher, orientar e acompanhar a mulher no primeiro pedido de ajuda.
É dentro dessa realidade que a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) tem defendido o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, especialmente no interior. Para a parlamentar, o enfrentamento à violência não pode depender apenas do registro da ocorrência. É preciso garantir apoio antes, durante e depois da denúncia.
Em Maracaju, essa resposta já existe. A Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres realizou cerca de 2,2 mil atendimentos e se tornou referência por integrar escuta, apoio psicológico, assistência social, prevenção e encaminhamentos dentro da rede de proteção.
Durante agenda no município, Lia Nogueira esteve na Coordenadoria e destacou que o modelo adotado em Maracaju pode contribuir com outras cidades de Mato Grosso do Sul. A deputada avaliou que serviços estruturados, integrados e próximos da população fazem diferença para mulheres que precisam romper o silêncio e buscar ajuda.
Na prática, chegam à Coordenadoria relatos de agressão, pedidos de orientação e solicitações de apoio para vítimas ou terceiros. A média é de 34 a 36 acolhimentos por mês. O trabalho também alcança ações de prevenção, capacitação e incentivo à autonomia feminina.
Para Jamaika do Carmo, responsável pela Coordenadoria, a força do serviço está na integração entre os setores públicos. Saúde, educação, assistência social, gabinete e demais secretarias também funcionam como pontos de apoio, o que amplia as chances de uma mulher ser ouvida no momento em que decide pedir ajuda.
“O nosso trabalho começa antes da denúncia, com orientação, prevenção e campanhas, e continua depois, com acolhimento e encaminhamento aos órgãos competentes. A mulher precisa saber que não está sozinha e que existe uma rede preparada para receber essa demanda”, destacou Jamaika.
A estrutura também chamou a atenção de representantes de outros municípios, que já estiveram em Maracaju para conhecer o modelo. Segundo Jamaika, cerca de 80% das mulheres que conhecem o trabalho se sentem mais encorajadas a denunciar agressões ou pedir ajuda, seja para elas mesmas ou para outras pessoas. O principal desafio, agora, é ampliar o orçamento para fortalecer o atendimento.
Para Lia Nogueira, os dados da violência e a experiência de Maracaju mostram que a proteção às mulheres precisa ser tratada como política pública permanente, com presença nos municípios, equipe preparada e atendimento humanizado.
“Quando uma mulher encontra acolhimento, orientação e uma rede preparada, ela tem mais condições de romper o ciclo de violência. Maracaju mostra que é possível organizar esse atendimento de forma integrada. Esse modelo precisa ser fortalecido e pode inspirar outros municípios do nosso Estado”, afirmou a deputada.
A agenda em Maracaju também incluiu reunião com o prefeito Marcos Calderan (PSDB), com a primeira-dama Meire Calderan e visitas a entidades que atuam diretamente com a população. Lia Nogueira esteve na Fundação Anália Franco de Maracaju, conhecida como Lar do Idoso, e na AMAR (Associação Amigos do Autismo de Maracaju), onde ouviu demandas e acompanhou projetos desenvolvidos no município.
De acordo com a parlamentar, estar nesses espaços aproxima o mandato de quem conhece as necessidades da população na prática. “Cada entidade tem uma necessidade e uma história. Quando a gente ouve quem está na ponta, consegue trabalhar com mais responsabilidade e buscar respostas que façam sentido para a vida das pessoas”, completou Lia Nogueira.









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