Perícia aponta que disparo que matou Fabíola Marcotti foi feito a longa distância; caso segue sob investigação como possível feminicídio
O laudo necroscópico elaborado pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Mato Grosso do Sul (Imol-MS) descartou a hipótese de suicídio na morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada morta dentro de uma residência no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande.
A vítima foi encontrada com um tiro na cabeça no dia 18 de maio deste ano. Desde então, a investigação trabalhava com duas possibilidades: suicídio ou feminicídio.
O exame pericial concluiu que a morte foi provocada por traumatismo craniano causado por disparo de arma de fogo. De acordo com o documento, não foram identificados sinais compatíveis com um tiro efetuado a curta distância.
A ausência de marcas do cano da arma no corpo da vítima foi um dos elementos considerados pelos peritos para afastar a possibilidade de que Fabíola tenha tirado a própria vida.
O laudo também identificou os pontos de entrada e saída do projétil, além de hematomas em outras partes do corpo. Conforme a perícia, o disparo atingiu regiões vitais da cabeça e provocou ferimentos incompatíveis com a sobrevivência.
Médico é investigado no caso
O marido da fisioterapeuta, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, é considerado o principal suspeito e chegou a ser preso após a morte.
Segundo as informações divulgadas durante a investigação, ele acionou a polícia e afirmou que a esposa teria cometido suicídio.
No dia seguinte à morte, em 19 de maio, o médico foi preso em flagrante depois que a polícia encontrou armas sem documentação na residência onde o crime ocorreu.
A prisão foi convertida em preventiva no dia 20 de maio. João Jazbik Neto foi indiciado por posse irregular de arma de fogo e fraude processual.
A polícia também apontou divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, por suspeitos e por testemunhas.
Posteriormente, a Justiça concedeu prisão domiciliar ao cardiologista, que responde ao processo em liberdade e continua sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Ministério Público aguarda outros laudos
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou que ainda não apresentou denúncia sobre o caso.
Segundo o órgão, o procedimento aguarda o encaminhamento de outros laudos periciais considerados necessários para a análise conclusiva dos fatos.
Após a inclusão e avaliação dos documentos pendentes, a promotora responsável deverá definir as próximas providências.
A defesa do médico afirmou que o laudo ainda não foi anexado ao processo e que o inquérito policial não foi concluído.
O caso continua sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) como possível feminicídio.









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