A Justiça de São Paulo determinou a realização de exames médicos no ex-médico Roger Abdelmassih, de 82 anos, após a defesa protocolar um pedido de prisão domiciliar com base em alegadas condições graves de saúde. A solicitação foi apresentada em novembro do ano passado pela esposa e advogada do condenado, Larissa Sacco Abdelmassih, no Tribunal de Justiça de São Paulo.
A juíza Sueli Zeraik acolheu o pedido de análise e determinou, nesta última quarta-feira (21), a elaboração de um novo laudo técnico para comprovar o quadro clínico. A perícia deverá ser custeada pelo próprio detento ou realizada pelo Instituto Médico Social e de Criminologia de São Paulo. Ainda não há data definida para o exame.
Segundo a defesa, Abdelmassih corre risco de morte caso permaneça no sistema prisional. Os laudos apresentados apontam que ele enfrenta problemas cardíacos e câncer de próstata, além de cardiopatia isquêmica grave, hipertensão, insuficiência cardíaca, broncopatia e diverticulite.
Roger Abdelmassih foi condenado a 173 anos de prisão por estuprar dezenas de pacientes. Ele está preso desde 2014, quando foi capturado no Paraguai após permanecer foragido por três anos. Antes disso, houve idas e vindas no cumprimento da pena.
Em 2023, a defesa já havia solicitado prisão domiciliar humanitária, mas o pedido foi negado. Na ocasião, o desembargador Eduardo Abdalla afirmou que, apesar do estado de saúde do condenado, ele vinha recebendo atendimento médico adequado, incluindo transferências para o Hospital Penitenciário quando necessário.
Em 2017, o Supremo Tribunal Federal chegou a conceder prisão domiciliar a Abdelmassih. No entanto, o benefício foi revogado em 2019 após suspeitas sobre informações inconsistentes nos laudos médicos que embasaram a decisão anterior.
Atualmente, Abdelmassih é um dos últimos detentos de casos de grande repercussão mantidos na unidade conhecida como Presídio dos Famosos. Segundo reportagem do UOL, o governo de São Paulo planeja encerrar essa designação e vem transferindo presos em regime fechado para outras unidades do estado. Entre novembro e dezembro do ano passado, cinco detentos foram transferidos.
A reportagem tenta contato com a defesa do ex-médico. Caso haja manifestação, o conteúdo será atualizado.









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