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O governo do Japão começou a discutir uma possível regulamentação para o mercado de cartas colecionáveis, impulsionado pela valorização de itens raros e pelas preocupações com falsificações, especulação financeira e lavagem de dinheiro. A iniciativa ganhou força após uma carta de Pokémon ser vendida por cerca de R$ 84,6 milhões, estabelecendo um novo recorde mundial.
As discussões são conduzidas por um grupo de parlamentares do Partido Liberal Democrático (PLD), principal legenda da base governista. Embora o foco esteja nas cartas de Pokémon, a análise também abrange outras franquias japonesas de sucesso, como Yu-Gi-Oh!.
Segundo os parlamentares, as cartas colecionáveis deixaram de ser apenas produtos voltados ao entretenimento e passaram a representar ativos de alto valor financeiro. Diante desse cenário, o grupo avalia a necessidade de criar regras mais claras para o setor, mas ainda não apresentou nenhuma proposta oficial.
Antes de elaborar recomendações, os deputados pretendem ouvir fabricantes, comerciantes e representantes da indústria para definir medidas que protejam consumidores sem comprometer o crescimento do mercado.
Nos últimos quatro anos, o mercado japonês de cartas colecionáveis cresceu cerca de 90%, movimentando aproximadamente ¥ 338 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 10,5 bilhões. O interesse crescente de investidores transformou caixas lacradas, cartas raras e exemplares certificados em ativos negociados como investimentos.
Em escala global, esse segmento movimenta entre US$ 13 bilhões e US$ 15,8 bilhões. O Pokémon Trading Card Game lidera o mercado, com mais de 75 bilhões de cartas impressas em todo o mundo.
O caso que intensificou o debate envolve a carta “Pikachu Illustrator”, considerada uma das mais raras da franquia. O exemplar, que pertenceu ao influenciador e lutador norte-americano Logan Paul, foi vendido em leilão em fevereiro de 2026 por US$ 16,492 milhões, cerca de R$ 84,6 milhões, tornando-se a carta colecionável mais cara já comercializada em leilão.
A peça é a única conhecida a receber a classificação máxima PSA Gem Mint 10, concedida por uma empresa especializada em autenticação e avaliação de itens colecionáveis. Logan Paul havia adquirido a carta em 2021 por US$ 5,275 milhões, valor que já representava um recorde para uma venda privada de uma carta de Pokémon.
Criada pela artista japonesa Atsuko Nishida, responsável pelo design original do Pikachu, a carta nunca foi comercializada. Ela foi distribuída exclusivamente como prêmio de um concurso de ilustração realizado no Japão em 1998.
A valorização desses itens também elevou os riscos de crimes relacionados ao setor. Autoridades apontam o aumento de falsificações, roubos e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro, já que cartas raras são fáceis de transportar, esconder e revender internacionalmente por valores comparáveis aos de imóveis de luxo.
Casos recentes reforçam essa preocupação. Nos Estados Unidos, lojas especializadas foram alvo de assaltos que resultaram no roubo de milhares de dólares em cartas e produtos colecionáveis. Situações semelhantes também foram registradas na Austrália.
Outro tema debatido pelos parlamentares japoneses é a influência de empresas norte-americanas na certificação e definição do valor internacional das cartas, apesar de franquias como Pokémon e Yu-Gi-Oh! terem sido criadas no Japão.
O objetivo do grupo é encontrar um equilíbrio entre fortalecer a fiscalização, combater fraudes e preservar o crescimento de uma indústria que movimenta bilhões de reais e faz parte da cultura dos colecionadores em todo o mundo. Até o momento, nenhuma nova regulamentação foi aprovada, e o tema segue em fase de estudos.






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