A greve dos motoristas do transporte coletivo de Campo Grande entrou no terceiro dia nesta quarta-feira, 17 de dezembro, mantendo a suspensão do serviço e afetando cerca de 110 mil usuários. Aproximadamente mil trabalhadores participam do movimento, que segue sem acordo entre as partes.
Na terça-feira, 16 de dezembro, uma audiência de conciliação foi realizada na Justiça do Trabalho com a presença da Prefeitura de Campo Grande, do Consórcio Guaicurus e do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano da Capital. A Justiça determinou a retomada parcial do serviço nesta quarta-feira, decisão rejeitada pela categoria.
Mesmo após orientação do presidente do sindicato, Demétrius Ferreira, para o retorno ao trabalho, os motoristas decidiram manter a paralisação. Segundo ele, a categoria só voltará às atividades após o pagamento dos valores reivindicados. O sindicalista afirmou que os trabalhadores estão revoltados e que a greve continuará enquanto não houver quitação.
Durante a audiência, a Justiça estabeleceu que os ônibus deveriam circular com 70 por cento da frota das 6h às 8h30 e das 17h às 20h. Nos demais horários, a exigência seria de 50 por cento da frota. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 200 mil ao sindicato. No momento em que a penalidade foi anunciada, os motoristas deixaram o plenário.
De acordo com a Justiça do Trabalho, o valor devido para pagamento aos motoristas é de R$ 1,3 milhão. Representantes do consórcio e da prefeitura afirmaram não ter recursos para quitar o montante de forma imediata, o que impediu um acordo.
Enquanto a Prefeitura de Campo Grande e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos afirmam que não há inadimplência e que todos os repasses estão em dia, o Consórcio Guaicurus sustenta que a paralisação é consequência de uma dívida acumulada desde 2022, relacionada ao descumprimento de um termo aditivo do contrato.
O impacto da greve também atinge o comércio. A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande estima prejuízo de R$ 10 milhões ao setor de comércio e serviços. O presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, afirmou que a paralisação ocorre em uma semana decisiva para as vendas de Natal e dificulta tanto o deslocamento de trabalhadores quanto de consumidores.
O diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, afirmou que a dívida decorre do quarto termo aditivo firmado em março de 2022, que estabeleceu a diferença entre a tarifa pública paga pelo usuário e a tarifa técnica, que corresponde ao valor real de remuneração do consórcio. Segundo ele, a tarifa técnica é de R$ 6,57, enquanto a tarifa paga pelo passageiro é de R$ 4,95, diferença que, segundo o consórcio, nunca foi compensada pelo município.
Themis afirmou que a dívida acumulada chega a R$ 39 milhões, sendo R$ 8,5 milhões apenas nos últimos 12 meses, além de R$ 4,8 milhões referentes ao transporte de estudantes da rede estadual.
Já o diretor-executivo da Agereg, Otávio Figueroa, declarou que a prefeitura possui todos os comprovantes de pagamento e que os repasses ao consórcio são feitos por meio de subvenções aprovadas anualmente pela Câmara Municipal. Segundo ele, somente em 2025 o consórcio recebeu mais de R$ 35 milhões em repasses, incluindo subvenções e vale-transporte, além de recursos destinados a gratuidades, isenções de ISS e transporte de estudantes, servidores e usuários da assistência social e da saúde.
Sem acordo, a greve segue e o transporte coletivo permanece suspenso na capital sul-mato-grossense.
Foto: Magno Lemes/TV Morena






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