..::data e hora::.. 00:00:00

Golpista é condenada após usar livro como inspiração para aplicar fraudes em Campo Grande

por | mar 2, 2026 | Últimas notícias

Segundo a própria acusada, ela se inspirou em um livro americano para criar as histórias usadas nas fraudes. — Foto: Freepik

Uma mulher foi condenada por estelionato depois de aplicar golpes durante quase três anos em Campo Grande. De acordo com a sentença da 2ª Vara Criminal da Capital, ela estruturava as fraudes a partir de histórias dramáticas criadas para sensibilizar as vítimas e convencê-las a entregar dinheiro.

Durante a investigação, a acusada confessou que utilizou como referência o livro A Câmara de Gás para montar os enredos. A partir da leitura, passou a explorar temas como doenças graves, mortes, sofrimento e conflitos familiares, com o objetivo de despertar compaixão e senso de urgência.

Segundo o processo, as histórias incluíam inventários inexistentes, diagnósticos falsos, mortes forjadas e até a criação de crianças fictícias. Em um dos casos apontados como mais graves, ela simulou a morte de uma criança que nunca existiu para solicitar dinheiro para um suposto funeral.

Para dar mais credibilidade às versões apresentadas, a mulher chegou a se passar por uma criança em mensagens e cartas escritas à mão, alterando a grafia para criar vínculo emocional com as vítimas. A polícia também apreendeu um carimbo médico falsificado, que era utilizado para reforçar pedidos de dinheiro destinados a tratamentos de saúde inexistentes.

Em depoimento, ela admitiu que fazia do chamado “conto da desgraça” sua principal fonte de renda, demonstrando que os golpes eram planejados e repetidos ao longo dos anos.

O prejuízo financeiro foi significativo. Uma das vítimas transferiu mais de R$ 412 mil à acusada e precisou vender um imóvel para quitar empréstimos feitos em favor dela.

Ao analisar a confissão, documentos bancários e demais provas reunidas no processo, o juiz concluiu que não se tratava de ajuda voluntária, mas de um esquema estruturado com base em manipulação emocional.

A mulher foi condenada a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 258 dias-multa. A Justiça também negou a substituição da pena por medidas alternativas, destacando a gravidade da conduta e a exploração deliberada da solidariedade das vítimas.

0 comentários