Segundo a própria acusada, ela se inspirou em um livro americano para criar as histórias usadas nas fraudes. — Foto: Freepik
Uma mulher foi condenada por estelionato depois de aplicar golpes durante quase três anos em Campo Grande. De acordo com a sentença da 2ª Vara Criminal da Capital, ela estruturava as fraudes a partir de histórias dramáticas criadas para sensibilizar as vítimas e convencê-las a entregar dinheiro.
Durante a investigação, a acusada confessou que utilizou como referência o livro A Câmara de Gás para montar os enredos. A partir da leitura, passou a explorar temas como doenças graves, mortes, sofrimento e conflitos familiares, com o objetivo de despertar compaixão e senso de urgência.
Segundo o processo, as histórias incluíam inventários inexistentes, diagnósticos falsos, mortes forjadas e até a criação de crianças fictícias. Em um dos casos apontados como mais graves, ela simulou a morte de uma criança que nunca existiu para solicitar dinheiro para um suposto funeral.
Para dar mais credibilidade às versões apresentadas, a mulher chegou a se passar por uma criança em mensagens e cartas escritas à mão, alterando a grafia para criar vínculo emocional com as vítimas. A polícia também apreendeu um carimbo médico falsificado, que era utilizado para reforçar pedidos de dinheiro destinados a tratamentos de saúde inexistentes.
Em depoimento, ela admitiu que fazia do chamado “conto da desgraça” sua principal fonte de renda, demonstrando que os golpes eram planejados e repetidos ao longo dos anos.
O prejuízo financeiro foi significativo. Uma das vítimas transferiu mais de R$ 412 mil à acusada e precisou vender um imóvel para quitar empréstimos feitos em favor dela.
Ao analisar a confissão, documentos bancários e demais provas reunidas no processo, o juiz concluiu que não se tratava de ajuda voluntária, mas de um esquema estruturado com base em manipulação emocional.
A mulher foi condenada a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 258 dias-multa. A Justiça também negou a substituição da pena por medidas alternativas, destacando a gravidade da conduta e a exploração deliberada da solidariedade das vítimas.






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