Os filhos dos desembargadores Vladimir Abreu da Silva e Sideni Soncini Pimentel seguem no centro das investigações que apuram a venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Documentos e sessões do Conselho Nacional de Justiça apontam suspeitas de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito envolvendo Marcus Vinícius Machado Abreu da Silva, Ana Carolina Machado Abreu da Silva, Rodrigo Gonçalves Pimentel e Renata Gonçalves Pimentel, todos advogados.
As citações foram feitas pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, durante os votos que determinaram a abertura de Procedimento Administrativo Disciplinar contra os magistrados, em novembro e dezembro deste ano. Segundo o ministro, as apurações revelam depósitos em espécie que ultrapassam 1,3 milhão de reais realizados por Marcus Vinícius e Ana Carolina, além do recebimento de vantagens financeiras consideradas indevidas.
As suspeitas também envolvem a relação profissional entre os filhos dos desembargadores, que mantêm escritórios no mesmo endereço em Campo Grande. No caso de Rodrigo Gonçalves Pimentel, o relatório do CNJ destaca um salto patrimonial considerado incompatível com sua renda declarada, passando de 52,5 mil reais em 2017 para mais de 9 milhões de reais em 2022. O documento aponta ainda a existência de 12 empresas ligadas ao advogado sem registro de funcionários.
Renata Gonçalves Pimentel também é citada por suposta ocultação de patrimônio. Notas fiscais analisadas pela Receita Federal indicam que ela não declarou mais de 4 milhões de reais em compras de veículos, que incluem modelos de luxo. O relatório lista ainda imóveis adquiridos que somam 2,7 milhões de reais e não aparecem em suas declarações de Imposto de Renda.
A reportagem procurou Renata Pimentel e as defesas de Rodrigo Pimentel, Sideni Pimentel e Vladimir Abreu, além dos advogados Marcus Vinícius e Ana Carolina, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.









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