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Estudo revela como vírus da gripe reprograma células humanas para se multiplicar

por | jul 20, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Pesquisadores identificaram pela primeira vez como o vírus influenza A, causador da gripe, modifica o funcionamento das células humanas para favorecer sua própria multiplicação. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica Nature Microbiology.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), na Alemanha, em parceria com outras instituições. Segundo os autores, a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas contra a gripe.

Durante a infecção, o vírus libera seu material genético no interior da célula e passa a utilizar a estrutura celular para produzir proteínas virais e gerar novas partículas do vírus.

Diferentemente de estudos anteriores, que analisavam células rompidas em laboratório, os pesquisadores utilizaram uma técnica capaz de observar essas interações diretamente em células infectadas intactas. Em seguida, combinaram os resultados com modelos computacionais baseados em uma versão adaptada do sistema de inteligência artificial AlphaFold para reconstruir as ligações entre proteínas virais e humanas.

O estudo identificou duas estratégias utilizadas pelo vírus para assumir o controle da célula. A primeira envolve a hemaglutinina, proteína presente na superfície viral responsável pela entrada do vírus nas células. Os cientistas verificaram que proteínas da própria célula auxiliam essa molécula a adquirir a forma necessária para manter o ciclo de multiplicação.

A segunda estratégia ocorre no núcleo celular, onde o vírus provoca a desestruturação de pequenos compartimentos chamados paraspeckles. Com isso, proteínas que antes estavam nessas estruturas passam a ser utilizadas na produção de novas cópias do vírus. Segundo os pesquisadores, esse processo também pode enfraquecer parte das defesas naturais da célula contra a infecção.

Os autores destacam que a metodologia empregada poderá ser aplicada ao estudo de outros vírus, incluindo agentes com potencial para causar futuras pandemias, como o H5N1. A expectativa é que a compreensão detalhada dessas interações permita identificar novos alvos para medicamentos capazes de bloquear a multiplicação viral e tornar os tratamentos mais eficazes.

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