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Espetáculo de dança revisita o universo poético de Lídia Baís em estreia no dia 4 de agosto

por | jul 28, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

A vida, a obra e o espírito inquieto de uma das maiores artistas de Mato Grosso do Sul ganham uma nova leitura nos palcos com a estreia de L’Existence – Lídia Baís, marcada para o dia 4 de agosto, às 20 horas, no Teatro Glauce Rocha. Inspirado na trajetória da pintora campo-grandense, o espetáculo de dança convida o público a mergulhar em um universo onde memória, imaginação e criação se encontram para revelar uma mulher que fez da arte sua forma de existir.

Distanciando-se de uma narrativa biográfica, a montagem propõe uma experiência sensível em que personagens inspirados nas pinturas e na trajetória de Lídia surgem como fragmentos de uma vida que continua reverberando. Entre o real e o simbólico, a obra apresenta uma artista que ultrapassa o tempo e permanece aberta a novas interpretações.

Para a diretora artística e bailarina Ana el Daher, que interpreta Lídia Baís, o processo transformou completamente sua percepção sobre a artista. Antes, ela era apenas um sobrenome conhecido da história de Campo Grande. Depois da pesquisa e da criação do espetáculo, passou a representar uma mulher de coragem e profunda força criativa.

“Lídia se tornou para mim uma mulher muito à frente do seu tempo. Ela não aceitava viver dentro das regras impostas pela sociedade, pela família e pelo lugar onde estava. Ela queria muito mais. Foi uma mulher ousada, que foi atrás dos próprios sonhos e das próprias vontades. Hoje, vejo alguém que talvez tenha inspirado muitas outras mulheres na forma de pensar e de agir”.

Interpretar uma personagem histórica apenas por meio da linguagem da dança foi um dos maiores desafios enfrentados pela artista. Segundo Ana, construir essa presença em cena exigiu um mergulho intenso em documentos, relatos, obras e pesquisas sobre a vida da pintora.

“A dança não tem o poder da fala. A gente precisa mostrar tudo com a alma. Pouco se sabe exatamente sobre como Lídia era, então tivemos muito cuidado para construir uma personagem respeitosa e, ao mesmo tempo, sensível. Foi um processo baseado em pesquisas, nos diários, nas pinturas, em relatos e também na orientação de uma historiadora profundamente dedicada ao universo da Lídia”.

Durante esse percurso, um aspecto da personalidade da artista chamou especialmente sua atenção: a capacidade de desafiar as convenções sociais de sua época.

“O que mais me marcou foi perceber que ela não se rendia às obrigações impostas para ela. Mesmo sabendo das consequências, ela escolhia viver do jeito que acreditava. Em uma época em que isso era quase proibido para uma mulher, ela teve coragem de romper padrões e seguir o próprio caminho”.

A artista espera que o espetáculo desperte reflexões sobre pertencimento, liberdade e escolhas pessoais. “Espero que o público saia curioso para conhecer mais sobre Lídia, mas também sobre si mesmo. Que cada pessoa se pergunte se está vivendo o lugar ao qual realmente pertence. Lídia era inquieta, e gostaria que essa inquietude também permanecesse com quem assistir ao espetáculo”.

A diretora artística e coreógrafa Monique Paes explica que L’Existence nasceu de uma longa imersão na vida e na produção artística de Lídia Baís. O processo envolveu pesquisas históricas, observação de suas pinturas, experimentações corporais e uma escuta sensível sobre tudo aquilo que sua trajetória ainda desperta.

“A criação de L’Existence nasceu de um mergulho profundo no universo de Lídia Baís. Estudei sua história, contemplei suas obras, ouvi inúmeras trilhas e, acima de tudo, aprendi a me escutar. Cada escolha coreográfica surgiu desse diálogo entre a pesquisa e aquilo que sua trajetória despertava em mim”.

Monique também destaca que integrar a equipe do longa-metragem sobre Lídia Baís, que está em produção em Mato Grosso do Sul, ampliou sua compreensão sobre a artista e influenciou diretamente a construção da obra.

“Algumas de suas pinturas tornaram-se ponto de partida para a linguagem corporal do espetáculo. Em nenhum momento quisemos biografar sua vida. A intenção sempre foi revelar ao público o quanto sua trajetória é rica, cheia de camadas, contrastes e perguntas que continuam ecoando no tempo”.

Segundo a coreógrafa, a proposta é oferecer uma experiência aberta, em que cada espectador possa construir sua própria leitura da obra. “Acredito que a arte ganha força quando nos permite sentir antes de compreender. Mais do que contar uma história, buscamos criar uma experiência sensível. Com respeito, admiração e licença poética, apresentamos L’Existence”.

Partindo do último suspiro de Lídia Baís, o espetáculo entrelaça memória, imaginação e criação em um percurso onde personagens inspirados em suas pinturas emergem como fragmentos de uma existência que permanece viva. O resultado é um convite para encontrar a artista não apenas na história, mas na permanência de sua arte.

O espetáculo L’Existence – Lídia Baís é realizado com investimento do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

Serviço

Peça L’Existence – Lídia Baís
Teatro Glauce Rocha, localizado no campus da UFMS em Campo Grande
4 de agosto, às 20h
A entrada custa R$ 70 e pode ser adquirida através do link da Bio do Instagram https://www.instagram.com/espacodedancaselmaazambuja/ e também na bilheteria do próprio teatro.

Fotos: Milena Yuka

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