Um empresário foi preso suspeito de matar a esposa e simular um acidente de trânsito para encobrir o crime em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo a Polícia Civil, Alison de Araújo Mesquita confessou ter agredido Henay Rosa Gonçalves Amorim e provocado a colisão do veículo contra um micro-ônibus após deixá-la desacordada.
O acidente ocorreu por volta das 6h da manhã de domingo, 14 de setembro, no km 90 da MG-050. Henay morreu no local e, inicialmente, o caso foi tratado como uma ocorrência de trânsito. No entanto, imagens de câmeras de segurança de um pedágio levantaram suspeitas e fizeram a investigação avançar para a hipótese de feminicídio.
As gravações mostram Henay imóvel no banco do motorista enquanto Alison, sentado no banco do passageiro, se esticava para alcançar o volante e pagar a tarifa. À atendente, ele afirmou que a companheira estava passando mal. A funcionária sugeriu que o veículo parasse logo à frente para atendimento, mas o empresário deixou o local rapidamente. A situação foi comunicada a um supervisor, que repassou as imagens à Polícia Militar.
Cerca de dez minutos após a passagem pelo pedágio, o carro invadiu a contramão e colidiu com um micro-ônibus. A família da vítima teve acesso às imagens e acionou a Polícia Civil. De acordo com o delegado Flávio Destro, a atendente estranhou o fato de a mulher estar desacordada no banco do motorista enquanto o companheiro conduzia o veículo de forma improvisada, recusando ajuda mesmo após o alerta.
Alison passou a ser tratado como principal suspeito e foi preso durante o velório de Henay, realizado na segunda-feira, 15 de dezembro, em Divinópolis. Em depoimento, ele admitiu ter agredido a esposa dentro do carro, mas negou que ela já estivesse morta antes da colisão. Segundo a investigação, ele teria batido repetidamente a cabeça da vítima contra o interior do veículo e pressionado o pescoço dela.
O médico-legista Rodolfo Ribeiro, da Polícia Civil, informou que as lesões encontradas no corpo de Henay são compatíveis com impactos repetidos da cabeça contra partes internas do carro e também com possível asfixia por constrição manual, reforçando os indícios de agressão antes do acidente.
O histórico de violência doméstica do casal ainda está sendo apurado. Alison afirmou que os dois discutiram em uma festa na noite anterior ao ocorrido. A Polícia Civil já solicitou imagens das câmeras de segurança do apartamento do empresário, em Belo Horizonte, de onde o casal saiu, para verificar se as agressões começaram ainda no local. Novos exames periciais foram requisitados, e as investigações seguem em andamento.
A Polícia Civil reforça que casos de violência contra a mulher devem ser denunciados. Vítimas ou pessoas que conheçam situações semelhantes podem procurar ajuda pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher.









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