O Hospital Militar de Área de Campo Grande realizou, na manhã desta quarta-feira, a primeira cirurgia com uso da polilaminina em Mato Grosso do Sul. O paciente passou a ser o 13º no Brasil a receber o tratamento experimental, autorizado por meio de decisão judicial.
A polilaminina é uma proteína em fase de testes aplicada em pacientes com lesões na medula espinhal. O procedimento conta com aval do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e integra um estudo clínico conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição que investiga a substância há mais de duas décadas. Médicos ligados à universidade participaram da cirurgia realizada na capital sul-mato-grossense.
No dia 5 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram oficialmente o início do estudo clínico de fase 1, que tem como objetivo principal avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo. Nesta etapa inicial, o estudo inclui cinco voluntários com idades entre 18 e 72 anos.
Produzida em laboratório, a polilaminina é uma versão sintética da laminina, proteína presente na placenta humana e fundamental no desenvolvimento embrionário. Ela atua no processo de conexão entre neurônios, o que levou os cientistas a investigarem seu potencial para estimular a regeneração nervosa após lesões na medula.
Durante a fase de testes, a empresa patrocinadora do estudo acompanha de forma rigorosa todos os participantes, registrando e avaliando possíveis efeitos colaterais, inclusive os considerados leves, com foco na segurança dos pacientes.
A expectativa dos pesquisadores é que, ao ser aplicada diretamente no local da lesão, a proteína estimule a formação de novas conexões nervosas, possibilitando a recuperação parcial de movimentos. Estudos anteriores já indicaram resultados promissores em testes realizados com animais e em casos pontuais com humanos, o que reforça a importância do avanço das pesquisas clínicas no país.










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