Medicamentos usados para emagrecimento à base de agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, podem interferir na absorção de remédios tomados por via oral, incluindo anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. O efeito não reduz a eficácia total dessas medicações, mas pode atrasar o início da ação ao diminuir a velocidade de esvaziamento do estômago.
O tema ganhou destaque após a ex-BBB Laís Caldas anunciar que engravidou durante o uso de tirzepatida associada a anticoncepcional oral. Especialistas explicam que essas drogas aumentam a sensação de saciedade e fazem com que o estômago esvazie mais lentamente, mantendo os comprimidos por mais tempo no trato gastrointestinal e retardando sua absorção.
Segundo médicos, o impacto é mais relevante para medicamentos que precisam de ação rápida, pois pode haver uma janela temporária sem proteção. Para remédios de uso contínuo, como antidepressivos e anti-hipertensivos, o efeito tende a ser menor.
Estudos indicam que a tirzepatida é a que apresenta maior evidência de interferência, com atraso no início da ação e redução do pico de concentração de medicamentos orais. Já no caso da semaglutida e da liraglutida, pesquisas não demonstraram impacto clinicamente relevante sobre anticoncepcionais.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia recomenda que mulheres que usam tirzepatida optem por métodos contraceptivos que não dependam da absorção intestinal, como DIU, métodos injetáveis, transdérmicos ou de barreira. Para usuárias de semaglutida, o anticoncepcional oral pode ser mantido, embora a orientação geral seja priorizar métodos mais seguros.
Além disso, efeitos colaterais como vômitos e diarreia, comuns no início do tratamento, podem comprometer a eficácia das pílulas. A perda de peso também pode aumentar a fertilidade, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos, elevando o risco de gravidez não planejada.
Especialistas alertam que o uso dessas medicações deve ser suspenso em caso de gravidez e interrompido com antecedência quando houver plano de engravidar, sempre com acompanhamento médico.









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