Um aplicativo desenvolvido para tratar a ejaculação precoce tem apresentado resultados promissores ao ajudar homens a prolongar o tempo durante a relação sexual. A ferramenta foi tema de um estudo apresentado no congresso anual da Associação Europeia de Urologia, realizado em Londres, no Reino Unido.
De acordo com os pesquisadores, o aplicativo pode ser uma alternativa eficaz, especialmente para homens que evitam procurar ajuda médica por vergonha. “Muitos convivem com a condição sem buscar tratamento, devido ao estigma”, explicou o urologista Christer Groeben, da Universidade de Marburgo, na Alemanha.
A ejaculação precoce é uma disfunção comum, caracterizada pela ejaculação em um tempo inferior ao desejado — geralmente em até 60 segundos após a penetração. Estima-se que o problema afete até 30% dos homens, mas apenas uma pequena parcela procura assistência médica.
Além de fatores físicos, a condição pode estar relacionada a questões emocionais, como ansiedade, estresse e dificuldades no relacionamento. Segundo especialistas, tratamentos convencionais, como medicamentos e cremes, costumam atuar apenas nos sintomas e nem sempre têm adesão prolongada.
O aplicativo, chamado Melonga, propõe uma abordagem diferente. Ele reúne exercícios físicos, técnicas terapêuticas e orientações baseadas na terapia cognitivo-comportamental, com o objetivo de melhorar o controle da excitação e da ejaculação.
O estudo, conduzido na Alemanha com 80 participantes ao longo de 12 semanas, mostrou que os usuários do app conseguiram, em média, dobrar o tempo até a ejaculação — passando de 61 para 125 segundos. Já entre os que não utilizaram a ferramenta, praticamente não houve mudança.
Outro dado relevante é que cerca de 22% dos participantes deixaram de apresentar o problema ao final do período.
Para o especialista Giorgio Russo, da Universidade de Catânia, a ferramenta representa um avanço importante. “O aplicativo reúne informações confiáveis e baseadas em evidências em um único lugar, facilitando o acesso e ajudando a combater a desinformação”, afirmou.
Atualmente, o Melonga está disponível em países como Alemanha, Irlanda, Áustria, Luxemburgo, Liechtenstein e Bélgica. Pesquisadores defendem que novos estudos, com um número maior de participantes, ainda são necessários para avaliar o impacto da ferramenta a longo prazo, inclusive na satisfação dos parceiros.






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