KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou como “lamentáveis” os ataques feitos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, ao governo brasileiro e afirmou que as declarações não devem comprometer o avanço da integração econômica do Mercosul.
Em declaração nesta terça-feira (28), Alckmin disse que Milei presta “um desserviço ao seu próprio país” ao interferir, segundo ele, de forma “absolutamente grosseira” em assuntos internos do Brasil.
Apesar do agravamento da crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires, o vice-presidente destacou que o Mercosul vive um momento positivo. Segundo ele, o bloco concluiu acordos comerciais com Singapura, com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com a União Europeia, além de manter negociações com a Coreia do Sul.
A tensão entre os dois países aumentou após a participação de Milei na convenção nacional do PL, realizada no último fim de semana, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Durante o evento, o presidente argentino chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Também afirmou que o Brasil vive um processo de perseguição política, fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes e declarou que apenas Flávio Bolsonaro seria capaz de promover uma mudança no país.
Milei ainda incentivou apoiadores a entoarem o coro de “Lula ladrão” e voltou a atacar Alexandre de Moraes por impedir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Na segunda-feira (27), Lula reagiu às declarações de forma irônica. Questionado sobre os ataques do presidente argentino, respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”.
Como resposta às declarações de Milei, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília e chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.
Em nota, o Itamaraty informou que o chanceler Mauro Vieira transmitiu ao representante argentino a repulsa do governo brasileiro pelas ofensas feitas por Milei durante sua visita a São Paulo. A chancelaria também destacou que não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro ofender, em território brasileiro, o presidente da República, as instituições democráticas, o Poder Judiciário e o povo brasileiro.
Mais cedo, o porta-voz da Presidência da Argentina, Adrian Ravier, tentou minimizar a crise ao afirmar que “sempre houve insultos dos dois lados”, embora tenha sustentado que o governo argentino nunca levou divergências políticas para o campo diplomático.





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