Sérgio Spengler
Campo Grande vai viver um daqueles raros encontros em que a cidade parece vibrar no mesmo acorde. No rastro do furacão que é o show do Guns N’ Roses, o Buteco do Miau abre as portas para um After que não aceita a palavra “fim” no vocabulário.
A casa começa a pulsar às 21h, recebendo quem prefere pular direto para o calor do bar. Já para quem vai ao show e quer esticar a experiência, pode chegar, porque o Miau estará pronto para entregar o que promete ser o After mais intenso que Campo Grande já viu. O som começa por volta das 23h e atravessa a madrugada sem pedir licença.
No palco, um encontro inédito que parece roteiro de filme, mas é real. A estreia da banda Beer B. King reúne músicos que ajudaram a escrever, na raça, a história do rock e do blues sul-mato-grossense.
Sérgio Spengler (voz) é uma entidade viva da cena. Conhecido como o “Elvis do MS”, ele não apenas canta, ele domina o palco. Foi referência para gerações inteiras, com passagens por casas icônicas como Iris Cyber Café, Rota 16, Bar Fly, Trem Mineiro. Embora marcado pela aura de Elvis Presley, sua essência sempre foi o blues. Com décadas à frente de projetos como Cachorro Velho e Renegados do Blues, Spengler não canta músicas, ele invoca atmosferas.
João Carlos (baixo) é um instrumentista experiente e altamente respeitado na cena local, com trajetória construída na estrada e na prática ao lado de grandes nomes. Atualmente baixista da banda Fernando Morreu, ele também já dividiu palco com músicos nacionais de peso como Igor Prado, Ivo Márcio, Fábio Brum, Renato Fernandes e Robson Fernandes. Sua marca é a consistência e a versatilidade, navegando entre o blues e o rock com naturalidade.
Henrique Borba (guitarra) carrega o DNA do blues local. Integrante da formação marcante do Cachorro Velho, ajudou a consolidar o gênero na cidade desde os anos 2000, com passagens por palcos emblemáticos e uma presença constante na construção da cena.
Alexandre “Alex AC” (bateria) traz uma trajetória que mistura estrada, palco e história viva da música local. Sua primeira grande projeção veio com a banda Grass, um dos nomes mais marcantes do rock autoral sul-mato-grossense nos anos 2000, conhecida por sua força nos festivais e pela presença constante na noite da capital. Entre 2005 e 2025, atuou em São Paulo, dividindo palco com músicos como Peter Hassel e acumulando experiências de peso. Gravou um DVD com a banda Made in Brazil, com quem também tocou por quatro anos, consolidando sua presença em uma das formações mais tradicionais do rock nacional. Atualmente, mantém uma agenda ativa em Campo Grande, integrando os projetos A Curva, Dose Tripla e a própria Beer B. King. Seu estilo combina precisão técnica com pegada de estrada, sustentando o groove com autoridade.
O resultado desse encontro não é apenas um show. É uma colisão de histórias, estilos e décadas de estrada, traduzida em blues cru, rock visceral e aquela energia que não se ensaia, só acontece.
Para acompanhar, o Miau mantém o combustível da noite no ponto ideal: Amstel gelada por R$12 a noite inteira e uma carta variada de cervejas trincando, prontas para segurar o ritmo de quem não pretende ir embora cedo.
A entrada é R$15 (integral para a banda). Um valor simbólico diante de uma noite que começa no autódromo, mas só encontra seu verdadeiro desfecho no palco do After.
Porque algumas noites não acabam. Elas apenas mudam de endereço.
Serviço
Buteco do Miau Av. José Nogueira Vieira, 1303. Tiradentes.
Entrada R$15
Bar aberto às 21h, música a partir das 23h
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