Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, Dayana Karol Moreira integrava o núcleo financeiro da facção e ajudava a ocultar recursos obtidos com o tráfico de drogas
A advogada Dayana Karol Moreira foi presa nesta quinta-feira (30) durante a Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso. Ela é investigada por supostamente integrar o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV) e atuar na ocultação de recursos ligados à organização criminosa.
De acordo com as investigações, Dayana teria exercido um papel estratégico para dar aparência legal ao patrimônio milionário da facção. A suspeita é de que valores obtidos com o tráfico de drogas tenham sido movimentados por meio de empresas, contas bancárias de terceiros e aquisição de bens de alto valor.
Além da advogada, foram presos os jogadores de futebol amador Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e Brunno Passos, chamado de “Brunninho”. Os dois são investigados por supostamente atuar como operadores do esquema financeiro.
Segundo a Polícia Civil, o grupo prestava suporte à estrutura comandada por Paulo Witter Farias, conhecido como “WT” e apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Investigação aponta uso de empresas e contas de terceiros
As apurações indicam que o grupo utilizava uma rede de movimentações financeiras para esconder a origem de grandes quantias de dinheiro.
Conforme a polícia, o esquema envolvia contas bancárias registradas em nome de terceiros, empresas e a compra de imóveis, veículos e outros bens de alto valor. Parte do patrimônio estaria registrada em nome de pessoas que não teriam capacidade financeira compatível com os bens adquiridos.
A Operação Replay é um desdobramento de investigações iniciadas nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.
Mesmo após as ações anteriores, a análise de dados telemáticos teria apontado que o núcleo financeiro continuou em atividade e adaptou sua estrutura para manter a movimentação de recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Justiça bloqueia patrimônio de R$ 32,5 milhões
Durante a operação, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 32,5 milhões em bens e ativos supostamente ligados ao esquema.
Do total, aproximadamente R$ 17,2 milhões correspondem ao sequestro de imóveis de alto padrão, terrenos e veículos localizados nos estados de Mato Grosso e Santa Catarina.
Outros R$ 15,3 milhões foram bloqueados em ativos financeiros que, segundo as investigações, podem estar relacionados à organização criminosa.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão e autorizadas quebras de sigilo de dispositivos eletrônicos. As medidas podem ampliar o alcance das investigações e ajudar na identificação de outros possíveis integrantes da rede.
Segundo a Polícia Civil, a operação busca atingir o patrimônio da organização criminosa e interromper o fluxo financeiro utilizado para manter as atividades da facção.
As investigações continuam para identificar novos operadores financeiros e localizar outros bens que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas.









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