A influenciadora e advogada Deolane Bezerra passou a dividir cela na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após relatar crises de síndrome do pânico. A informação consta em documentos da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e foi utilizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para defender a manutenção de sua custódia na unidade.
Segundo o relatório, Deolane foi inicialmente alojada sozinha, mas pediu autorização para dormir em uma cela ocupada por outra detenta, também advogada. A mudança ocorreu de forma voluntária e com a concordância da companheira de cela.
De acordo com a SAP, a influenciadora alegou sentir medo de permanecer sozinha durante a noite e de passar mal em decorrência das crises de ansiedade. Apesar de dormir na cela vizinha, seus pertences pessoais permaneceram na acomodação originalmente destinada a ela.
O documento foi apresentado pelo MP-SP ao analisar o pedido da defesa para que Deolane fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior ou colocada em prisão domiciliar. Para a Promotoria, a opção de dividir a cela demonstra que a advogada não estava submetida a isolamento imposto pela administração penitenciária.
Defesa questiona condições da prisão
Presa desde 21 de maio, Deolane é investigada por suspeita de envolvimento com um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora nega as acusações.
A defesa afirma que a unidade prisional não oferece condições compatíveis com as prerrogativas garantidas aos advogados. Segundo os advogados, um relatório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) apontou problemas como ventilação insuficiente, calor excessivo, instalações precárias e restrições a itens de higiene.
Por outro lado, o Ministério Público sustenta que a penitenciária atende às exigências legais. O parecer destaca que não há superlotação, as celas possuem dimensões superiores ao mínimo previsto na legislação, há fornecimento regular de alimentação, materiais de higiene, uniformes e assistência médica, além de ventilação, iluminação natural e controle periódico de pragas.
O habeas corpus apresentado pela defesa está em julgamento virtual na 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. A análise deve ser concluída até o dia 15 de julho.









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