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GM amplia aporte em R$ 3,5 bilhões no Brasil e critica benefício de cotas que favorece BYD

por | jun 25, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

A General Motors anunciou nesta quarta-feira (24) um investimento adicional de R$ 3,5 bilhões em suas operações no Brasil, elevando para R$ 10,5 bilhões o plano previsto para o período de 2024 a 2028.
O anúncio foi levado pessoalmente ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, pelo vice-presidente da GM América do Sul, Fabio Rua.

A ampliação, que representa um aumento de 50% em relação ao compromisso original de R$ 7 bilhões assumido pela montadora há dois anos, ocorre apenas um dia após o governo decidir renovar cotas de importação para kits de peças CKD (totalmente desmontados) e SKD (semidesmontados).

A medida é defendida pela chinesa BYD e duramente criticada pelas montadoras tradicionais instaladas no país, como a GM.

À Folha de S.Paulo Fabio Rua criticou a decisão do governo e afirmou que a GM está integralmente alinhada à posição da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) que defendia o fim das cotas.

“Nós respeitamos a decisão do governo, mas temos uma posição 100% alinhada com a posição da Anfavea”, declarou. “Não entendemos que a indústria brasileira vai se fortalecer com medidas unilaterais, que têm como objetivo favorecer um competidor. Foi desconfortável, eu não posso negar”.
Segundo o executivo, o risco é que o país incentive operações de montagem com baixo conteúdo local, em vez de fabricantes que mantêm cadeias produtivas completas no Brasil.

“A gente precisa evitar que novas rodadas de pedidos unilaterais de acesso a cotas prosperem para quem não fabrica com a profundidade que a gente fabrica”.

O governo federal decidiu renovar por mais seis meses as cotas que permitem a importação de kits de peças para veículos eletrificados sem pagamento de Imposto de Importação.

A decisão tomada na terça-feira (23) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, órgão ligado ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), prevê imposto de importação zerado para importações totais de até US$ 463 milhões.

A alíquota zero valerá a partir de 1º de julho de 2026, pelo prazo de seis meses.
A Anfavea avalia recorrer à Justiça para questionar a medida, a depender de como a portaria que detalha a cota vier.

Durante a reunião com Alckmin, a GM apresentou uma proposta formal para substituir as disputas recorrentes sobre cotas de importação. A ideia, segundo Rua, seria criar um sistema semelhante ao adotado no México, onde o direito de importar veículos ou componentes com benefícios tarifários está vinculado ao volume efetivamente produzido no país.

“O governo deveria adotar uma política de incentivo à produção local, por meio da qual, quanto maior a produção, maior a porcentagem de potenciais importações que podem ser trazidas para o país”, afirmou Rua.
Segundo ele, a proposta foi entregue por escrito ao vice-presidente. “Eu senti uma receptividade muito grande. Ele disse, inclusive, que é uma proposta inteligente”.

Fabio Rua disse que o novo aporte vai ser usado para acelerar a modernização das fábricas e ampliar a eletrificação de veículos. A empresa já vinha executando parte desse plano desde 2024.

Segundo Rua, cerca de metade do valor total já foi aplicada em novos modelos de carros e na modernização industrial. Entre os projetos, ele cita o desenvolvimento de novos veículos produzidos em Gravataí (RS), a renovação de modelos já existentes e a robotização das linhas de produção.

O foco principal dos recursos serão as operações paulistas da companhia. A GM tem plantas industriais em São Caetano do Sul e São José dos Campos. A companhia não detalhou quais novos modelos serão lançados, nem quantos empregos serão gerados, mas afirmou que novos produtos já estão em desenvolvimento e devem ser anunciados nos próximos meses.

Por Folhapress

Foto: © Getty Images

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