Uma pesquisa internacional publicada na revista científica EcoHealth identificou a presença do vírus da hepatite B humana (HBV) em primatas selvagens da Amazônia, levantando preocupações sobre a transmissão de doenças entre humanos e animais.
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O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Salford e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com análise de amostras de 88 primatas de 28 espécies diferentes, coletadas entre 2009 e 2013 em áreas da Amazônia brasileira.
Maior risco em áreas com presença humana
Os cientistas compararam duas regiões: uma mais impactada pela presença humana, em partes de Rondônia e Mato Grosso, e outra preservada, no alto rio Japurá (AM).
Os resultados mostraram que:
- Em áreas com maior interferência humana, o vírus foi encontrado em 17 dos 49 primatas analisados;
- Na região preservada, nenhuma das 39 amostras apresentou o vírus.
Segundo os pesquisadores, os genótipos encontrados nos animais são os mesmos que circulam em populações humanas locais, o que reforça a hipótese de transmissão entre espécies.
“Doença indo do humano para o animal”
O fenômeno observado é chamado de transmissão zoonótica reversa, quando doenças humanas passam para animais silvestres. Isso preocupa cientistas porque indica que a expansão humana e o desmatamento podem estar afetando diretamente a saúde da fauna.
Os pesquisadores destacam que a proximidade entre humanos e primatas aumenta significativamente o risco de infecção, já que o vírus da hepatite B é transmitido por contato com sangue e fluidos corporais.
Risco de mutações e vigilância
Os autores do estudo alertam ainda para a possibilidade de o vírus sofrer mutações em ambientes silvestres, o que poderia gerar novos riscos tanto para animais quanto para humanos no futuro.
Eles defendem maior vigilância epidemiológica e medidas de proteção ambiental na região amazônica para reduzir o contato entre populações humanas e primatas.
O estudo reforça a ligação direta entre desmatamento, ocupação humana e impactos na saúde da biodiversidade amazônica.




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