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Banda Os Alquimistas compartilham processo de gravação de novo álbum com estudantes da UFMS

por | jun 4, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Entre cabos, microfones, softwares de gravação e histórias construídas na cena independente de Mato Grosso do Sul, a banda Os Alquimistas levou para dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) uma experiência prática sobre produção musical. A atividade integrou as ações de contrapartida social do projeto de gravação do primeiro álbum da banda, aprovado pelo Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC), e reuniu estudantes da disciplina Música e Tecnologia para uma imersão nos bastidores da criação de um disco.

A palestra foi conduzida pelos integrantes da banda (Leotta, Perim e Bo Loro) e pelo produtor musical Anderson Rocha, do Estúdio 45, local onde o álbum está sendo gravado. Durante o encontro, os participantes acompanharam diferentes etapas da produção fonográfica, desde a gravação e edição das faixas até os processos de mixagem, masterização e lançamento em vinil.

Mais do que apresentar conceitos teóricos, a atividade aproximou os estudantes da realidade de um projeto musical em andamento. Foram abertas sessões reais de gravação das músicas que compõem o novo álbum, permitindo que os alunos observassem as pistas isoladas dos instrumentos, os processos de edição, a organização das mixagens e as escolhas realizadas durante a construção artística do disco.

Segundo Leotta, tecladista e vocalista da banda, a proposta nasceu da própria relação dos músicos com a universidade.

“Pensamos nessa ação como contrapartida social dentro do nosso projeto aprovado pelo FMIC. Eu e o Perim somos alunos do curso de Licenciatura em Música da UFMS, então a ideia surgiu a partir dessa nossa vivência acadêmica. O professor Max Packer abraçou a proposta e nos permitiu incluir a atividade dentro do cronograma do projeto”.

A aula também serviu como espaço de troca entre diferentes experiências musicais. Conhecida por transitar entre o rock de garagem, a psicodelia e influências regionais, a banda compartilhou com os estudantes não apenas aspectos técnicos da produção, mas também sua trajetória dentro da cena independente sul-mato-grossense.

“Pudemos trazer a nossa experiência e vivência dentro de um estúdio profissional. Durante a palestra mostramos as DAWs de duas faixas do disco, apresentando as linhas isoladas dos instrumentos, as mixagens, masterizações e até os processos de seleção das gravações que foram aproveitadas para compor o álbum”, explica Leotta.

Para o professor Max Packer, responsável pela disciplina Música e Tecnologia e coordenador do projeto de extensão Estúdio UFMuS, a atividade despertou grande interesse dos estudantes justamente por apresentar uma experiência concreta de produção musical.

“Os alunos demonstraram bastante interesse, sobretudo em relação à trajetória da banda, como tudo começou e se consolidou. Creio que o fato de tratar-se de um trabalho feito por colegas contribuiu com esse interesse. A exposição sobre os processos de gravação e pós-produção também veio muito a calhar, sobretudo por ir de encontro com as práticas de produção que temos desenvolvido na disciplina”.

Um dos destaques do encontro foi a demonstração prática das DAWs (Digital Audio Workstations), softwares utilizados na produção musical contemporânea. A ferramenta permitiu aos estudantes visualizar na prática como diferentes instrumentos, vozes e efeitos são organizados dentro de uma gravação profissional.

Embora os alunos já desenvolvam projetos de gravação e pós-produção dentro da universidade, Max destaca que acompanhar o desenvolvimento completo de um álbum amplia a compreensão sobre o mercado fonográfico.

“O universo da produção musical é vastíssimo e o processo de produção de um disco inteiro envolve um tipo de imersão que normalmente parece distante da realidade dos estudantes. A aula com Os Alquimistas certamente contribuiu para tornar mais palpável o que significa gravar um disco e aproximá-los ainda mais dos processos de produção”.

Além dos aspectos técnicos, a atividade também evidenciou possibilidades de atuação profissional para músicos independentes, especialmente por meio de editais públicos de fomento à cultura.

“Muitos dos nossos alunos atuam profissionalmente, mas a maioria ainda não se aventurou pelo caminho dos editais de cultura. O contato com a experiência dos Alquimistas na elaboração e execução de um projeto dessa natureza serve de exemplo e incentivo importante para que eles se voltem com um olhar mais profissional para o próprio trabalho como músicos”, avalia o professor.

Para Leotta, iniciativas como essa ajudam a aproximar os universos acadêmico e profissional, oferecendo aos estudantes uma perspectiva concreta sobre os desafios e possibilidades da produção musical contemporânea.

“Foi interessante trazer uma vivência prática para o contexto acadêmico, que muitas vezes prioriza o campo teórico. Trazer uma perspectiva de gravação em ambiente profissional despertou grande interesse nos alunos, que participaram ativamente da palestra”.

A experiência marca o início de uma aproximação entre a banda, a universidade e o Estúdio 45. Segundo Max Packer, novas parcerias já estão sendo planejadas, incluindo futuras gravações e atividades formativas voltadas aos estudantes do curso de Música da UFMS.

Este projeto conta com investimento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC), executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).

Fotos: Mariana Sena

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