A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, em Campo Grande, está sendo investigada após a família levantar suspeitas de possível negligência médica. O caso ocorreu depois que o menino procurou atendimento em unidades de saúde por sete vezes, ao longo de seis dias, após machucar o joelho enquanto brincava.
O acidente aconteceu no dia 2 de abril, quando João caiu sobre uma pedra em casa. Ele foi levado à UPA Tiradentes, onde realizou um exame de raio-X que não apontou fratura. Após o atendimento, recebeu medicação para dor e foi liberado.
Mesmo com o passar dos dias, o quadro clínico piorou. Segundo a família, o menino retornou diversas vezes a unidades de saúde, incluindo a UPA Universitário e a Santa Casa de Campo Grande. Em todos os atendimentos iniciais, ele foi medicado e liberado.
Durante esse período, além da dor no joelho, João passou a apresentar outros sintomas, como dor no peito, que chegou a ser associada à ansiedade. Na véspera da morte, surgiram sinais mais graves, como manchas roxas pelo corpo, palidez, falta de ar e episódios de desmaio.
Na noite do dia 6 de abril, o menino deu entrada desacordado na UPA Universitário, onde foi reanimado e intubado. Em seguida, foi transferido para a Santa Casa, mas sofreu uma parada cardíaca e morreu na madrugada do dia 7.
A família questiona a condução dos atendimentos e afirma que houve demora na realização de exames mais detalhados. Também aponta um laudo preliminar que indica possível falha em um procedimento de intubação realizado anteriormente.
O caso foi registrado como homicídio culposo e está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, que analisa os prontuários médicos para verificar se houve falhas ou omissões.
A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente e depende do resultado do exame necroscópico. Durante os atendimentos, chegou a ser levantada a suspeita de um coágulo.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que abriu apuração interna com base nos registros das unidades envolvidas e afirmou que eventuais irregularidades serão responsabilizadas.
O menino foi velado na manhã desta quarta-feira, dia 8, e enterrado no Cemitério Jardim da Paz.
As investigações seguem para esclarecer pontos importantes, como a causa da morte, a possível existência de negligência médica e se o óbito tem relação direta com o ferimento inicial ou com outra condição de saúde não diagnosticada.
0 comentários