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Inauguração de ponte entre Brasil e Paraguai pode atrasar por falta de acesso e alfândega

por | fev 25, 2026 | Últimas notícias

A entrega da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, prevista para agosto de 2026, pode ser adiada. Apesar de a estrutura principal estar 90% concluída, ainda há entraves como obras de acesso inacabadas, ausência de alfândega e pendências regulatórias.

Considerada estratégica para a economia sul-americana, a ponte integra a chamada Rota Bioceânica, que pretende facilitar o comércio entre países do Mercosul e a Ásia, criando uma nova rota de exportação com redução significativa de tempo e distância.

Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, faltam cerca de 100 metros para concluir a estrutura da ponte. No entanto, o acesso por terra até a BR 267 ainda não tem prazo definido. A obra do lado brasileiro, com 13 quilômetros de extensão, está atrasada e depende de recursos federais.

De acordo com o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS, Jaime Verruck, a conclusão do acesso pode ocorrer apenas no segundo semestre de 2027. Ele destacou a necessidade de previsão orçamentária da União para garantir a continuidade do cronograma.

Além das obras viárias, o Brasil ainda precisa construir a estrutura alfandegária, com custo estimado em R$ 200 milhões. Também será necessária a harmonização de regras entre os dois países para evitar atrasos na liberação de cargas. A preocupação é que, sem integração eficiente, parte do ganho logístico da nova rota seja perdida em filas e burocracias.

Em um cenário considerado otimista pelo governo estadual, os primeiros caminhões poderiam começar a circular pela rota em Mato Grosso do Sul em cerca de um ano e meio. As rodovias estaduais e federais também precisarão passar por adequações para suportar o fluxo previsto.

Mudanças em Campo Grande

Com a consolidação da ponte, Campo Grande pretende se posicionar como centro logístico da Rota Bioceânica, com instalação de portos secos, centros de distribuição e armazéns. Para isso, a prefeitura iniciou mudanças na legislação urbana e econômica para atrair empresas.

Uma das alterações ocorreu no Programa de Desenvolvimento Econômico e Social, que agora permite que empresários fiquem com terrenos cedidos pelo município após dez anos, desde que cumpram metas estabelecidas. Antes, as áreas precisavam ser devolvidas à prefeitura.

A Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano abriu consulta pública para atualizar a lei de uso e ocupação do solo. Após essa etapa, o projeto deverá ser encaminhado à Câmara Municipal de Campo Grande. O presidente da Casa afirmou que a proposta pode ser votada ainda no primeiro semestre de 2026.

Sobre a Rota Bioceânica

A ponte integra o Corredor Rodoviário de Capricórnio, conhecido como Rota Bioceânica, que ligará portos brasileiros aos chilenos, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a distância marítima das exportações brasileiras até a Ásia.

Em viagens com destino à China, por exemplo, o tempo de transporte pode cair entre 12 e 17 dias, uma redução aproximada de 23%. A previsão inicial da Receita Federal é de circulação de 250 caminhões por dia, número que pode crescer com a consolidação do corredor como nova alternativa de comércio internacional.

 Foto: Saul Schramm/Secom MS

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