Um homem apontado como um dos gerentes do tráfico internacional de drogas morreu após ser baleado em confronto com policiais durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva em Limeira, no interior de São Paulo, nesta última terça-feira, 20. A ação fez parte de uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Militar contra o tráfico internacional de entorpecentes.
Segundo a Polícia Militar, o suspeito era responsável por recrutar estrangeiros para atuarem como chamadas mulas do tráfico, transportando drogas no próprio corpo para a facção criminosa PCC, que atua dentro e fora do sistema prisional. O termo mula é utilizado para designar pessoas cooptadas por organizações criminosas para o transporte físico de drogas.
A operação, batizada de Expurgo, ocorreu simultaneamente nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao todo, a Justiça expediu 12 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de Piracicaba, Limeira, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Botucatu e São Paulo, além de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Uma pessoa morreu baleada durante a ação.
De acordo com o comandante da Polícia Militar para o interior paulista, Cleotheos Sabino, o confronto ocorreu em uma área de chácaras, na zona rural de Limeira. O homem tentou fugir após atirar contra os policiais e correu para uma área de mata. Equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia, do canil da PM e o helicóptero Águia foram mobilizados nas buscas. O suspeito chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva e uma extensa ficha criminal, com mais de cinco passagens por roubo.
Durante a operação, em Santa Bárbara d’Oeste, policiais encontraram R$ 75 mil escondidos embaixo da pia do banheiro da casa de um dos principais alvos da investigação. No local, também foram apreendidos duas pistolas, um fuzil, um revólver, celulares e um veículo. O suspeito, identificado como William Lucas da Silva, de 28 anos, é apontado como um dos responsáveis pelo gerenciamento do tráfico de cocaína para a região de Piracicaba. A defesa afirmou que irá comprovar a inocência do cliente, alegando que as armas possuíam registro regular e que o dinheiro seria proveniente da venda recente de um carro.
Segundo a Polícia Federal, parte dos alvos da operação já se encontrava presa por mandados anteriores, prisões em flagrante ou condenações relacionadas ao tráfico de drogas. O número exato não foi detalhado.
As ações desta terça-feira são desdobramento de uma investigação iniciada em janeiro de 2025, quando bolivianos foram presos em flagrante em Limeira transportando 17 quilos de cocaína. Na ocasião, a polícia identificou que os envolvidos atuavam como mulas do tráfico, engolindo cápsulas da droga ainda na Bolívia. Entre os presos havia dois adolescentes com documentos falsos e uma gestante.
As investigações apontam que a cocaína era trazida de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A droga, acondicionada em cápsulas, era ingerida pelos transportadores, que seguiam de ônibus até São Paulo. Em seguida, eram levados para chácaras no interior do estado, onde expeliam os entorpecentes, posteriormente distribuídos para pontos de venda.
Ainda segundo a Polícia Federal, durante a investigação de 2025 foi constatado que os imigrantes recebiam cerca de R$ 2 mil para ingerir ao menos 50 cápsulas de cocaína, havendo casos em que uma única pessoa chegou a engolir mais de 120 envelopes da droga. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da atuação da facção criminosa.






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