Após a prisão de Rodrigo Radenzév Simões Moreira, ocorrida no interior de São Paulo, Roger Moreira, filho adotivo de Cid Moreira, tornou pública uma carta em tom de desabafo que lança luz sobre conflitos, dores e rupturas familiares que, segundo ele, antecedem o episódio policial. O texto foi divulgado dias depois de Rodrigo ser detido em flagrante por tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo, após denúncia feita pela ex-mulher.
Na carta, Roger afirma que não busca justificar crimes ou atos de violência, mas contextualizar trajetórias marcadas por abandono emocional, ausência paterna e rejeição. Ele descreve o pai adotivo como um profissional admirado pelo público, mas distante no ambiente familiar, ressaltando que esse comportamento teria impactado profundamente a vida dos filhos.
Sobre o irmão, Roger relata que Rodrigo, filho biológico de Cid Moreira, teria sido abandonado ainda na infância, crescendo sem referência afetiva. Segundo ele, esse vazio emocional pode explicar escolhas autodestrutivas, sem, no entanto, isentar responsabilidades individuais. O texto também relembra histórias de outros familiares, associando rejeição e preconceito a problemas de saúde mental e perdas precoces.
Ao falar de si, Roger diz que a adoção esteve condicionada a expectativas de comportamento e imagem, e que a relação se rompeu quando decidiu viver de forma autônoma. Para ele, o afeto dentro da família sempre foi condicionado e frágil.
Apesar da gravidade das acusações que pesam contra o irmão, Roger afirma que decidiu apoiá-lo neste momento. Segundo ele, virar as costas agora seria repetir o abandono que marcou a história familiar. “Estender a mão não é passar pano”, escreve, defendendo que compreender as origens da dor é uma forma de tentar romper ciclos de violência.
A carta termina com uma reflexão contundente sobre abandono emocional e suas consequências, defendendo empatia, responsabilidade humana e a necessidade de reflexão além do espetáculo. “O abandono mata aos poucos”, conclui Roger, ao justificar por que escolheu não repetir a violência emocional que, segundo ele, atravessou gerações de sua família.






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