A Câmara Municipal de Campo Grande intensificou a cobrança à prefeita Adriane Lopes (PP) após a revelação de que 12 ambulâncias novas estão paradas na Secretaria Municipal de Saúde. O caso virou alvo de inquérito do Ministério Público Estadual (MPE) e gerou forte reação entre os vereadores, que exigem explicações imediatas do Executivo.
A denúncia ganhou força após o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy, protocolar uma série de ofícios cobrando esclarecimentos da Prefeitura. Ele reforça que a situação é inadmissível diante do colapso da saúde pública, onde faltam remédios, equipamentos e até atendimento emergencial.
“Esse questionamento veio do Ministério Público, que também tem nos cobrado sobre nossas ações diante das denúncias envolvendo a Saúde de Campo Grande. Assinei diversos ofícios pedindo explicações ao Município. Não é possível termos ambulâncias paradas enquanto pessoas precisam de socorro e o Samu sofre com frota defasada”, criticou Papy.
O inquérito conduzido pelo promotor Marcos Roberto Dietz aponta que um contrato de aluguel de ambulâncias – válido por 12 meses e encerrado em julho deste ano – continuou vigente mesmo após a Prefeitura receber 12 ambulâncias doadas (seis em dezembro de 2024 e seis em abril de 2025), que seguem sem uso.
Mesmo com os veículos novos disponíveis, o Município manteve o contrato de locação de cinco ambulâncias, pagando quase R$ 70 mil por mês, valor considerado um desperdício em meio ao cenário de contingenciamento nas contas públicas.
Em resposta enviada ao MPE em junho, a Prefeitura alegou que o contrato anual de R$ 1,8 milhão, com possibilidade de prorrogação, seria “mais viável” do que colocar em circulação as ambulâncias doadas. A Administração argumentou que os custos de emplacamento e contratação de seguro tornariam a substituição dos veículos inviável.
A justificativa, porém, não convenceu os vereadores, que afirmam que a prefeita Adriane Lopes precisa explicar à sociedade por que ambulâncias prontas para uso continuam paradas enquanto a população enfrenta longas esperas e falta de atendimento.
A Câmara deve continuar acompanhando o caso e promete intensificar a fiscalização sobre os contratos e a gestão da frota da Saúde.
Com informações da Câmara
Foto: Henrique Kawaminami






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