A obra começou em 2022 e ainda não foi concluída e continua cercada por tapumes — Foto: Arquivo/TV morena
A entrega da revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande foi adiada novamente e agora está prevista para abril de 2027. A obra, iniciada em junho de 2022, alcançou 59% de execução, já consumiu mais de R$ 18 milhões e segue sendo alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por causa dos atrasos e aditivos contratuais.
Segundo a Prefeitura de Campo Grande, o novo cronograma representa um atraso de nove meses em relação à previsão anterior, que indicava a conclusão para junho de 2026. A administração municipal atribui a mudança à necessidade de ajustes técnicos no processo licitatório para a instalação do sistema de climatização do prédio.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) contratou a empresa responsável pela implantação do sistema de ar-condicionado por R$ 2 milhões. A conclusão dessa etapa é considerada essencial para o fechamento do forro, pintura interna e demais acabamentos. Após a instalação, a estimativa é de que os serviços finais sejam concluídos entre 60 e 90 dias.
O custo da revitalização já supera o orçamento inicial de R$ 16,5 milhões. Em outubro de 2025, o MPMS instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato, incluindo sucessivas prorrogações de prazo e aditivos financeiros.
A reforma contempla a área pública da antiga Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu, incluindo o prédio principal, o antigo terminal do transporte coletivo e as calçadas do entorno. Entre as intervenções previstas estão a substituição dos pisos, reforma das redes elétrica e hidráulica, recuperação das lajes, instalação de novas escadas, construção de estacionamento, implantação de calçadas acessíveis e paisagismo.
Após a conclusão, o espaço deverá abrigar a sede da Fundação Social do Trabalho (Funsat) e uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com o objetivo de ampliar a circulação de pessoas e contribuir para a revitalização da região central.
A demora na entrega tem frustrado comerciantes e moradores. O lojista Seriberto Henrique afirma que a expectativa criada em torno da revitalização deu lugar à decepção após quatro anos de espera. Empresários também relatam que a permanência dos tapumes e a falta de movimentação afugentam investidores e consumidores.
Mesmo diante dos atrasos, alguns proprietários seguem apostando na recuperação da área. O comerciante Pedro da Cruz, por exemplo, já reformou parte das salas comerciais que possui no condomínio e espera reabrir os espaços quando a obra pública for concluída.
Especialistas destacam que a revitalização não depende apenas da reforma física. Para o conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS), Gustavo Shiota, a ocupação permanente do espaço com comércio, serviços públicos e moradores é fundamental para reduzir a degradação urbana e aumentar a sensação de segurança.
Comerciantes também defendem o reforço no policiamento da região. Eles afirmam que a presença constante de usuários de drogas e pessoas em situação de rua ainda afasta clientes e dificulta a retomada das atividades econômicas no entorno da antiga rodoviária.








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